sexta-feira, 8 de outubro de 2010
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terça-feira, 4 de maio de 2010
Salpicado em Fezes (Casa da Agonia parte II)
Salpicado em fezes
Ali estavam os três humanos pendurados nus em agonia, seu cruel torturador com a máscara da Comédia ria em alto tom, ao som dos desesperados gritos silenciosos das vítimas imobilizadas, que nada podiam fazer, além de mover a cabeça, vendo uns aos outros, coisa que apenas aumentava o terror em seus corações, iluminados pelas 9 velas que queimavam. Era fácil perceber um anel em forma de garra, pontudo como uma faca, no seu indicador esquerdo.
- Saudações, vocês aqui irão presenciar a mais bela obra de arte. Este local, este banheiro é chamado carinhosamente por mim de A Casa da Agonia, e enfim, vocês já entenderam porque temos esse nome aqui. Essas nove velas estão espalhadas de modo que a expressão de cada um de vocês, minhas crianças, seja vista com a maior expressividade. Este aqui é o meu lar, sabe, quando você vive no Inferno a vida toda, acaba se acostumando e o adotando como seu lar doce lar, e bem, hoje ele será dividido com vocês. – Ele andava para lá e para cá, em zigue-zague, com as mãos atrás das costas, sua voz era desagradável, aguda e infantil, qualquer um que ouvisse diria que ele tinha 11 anos, o que era estranho, já que Brenda se lembrava de ter ouvido uma voz totalmente diferente antes, mas era óbvio que ele forçava para alterar seu timbre, só não dava para saber qual era o original. O odor de excrementos era muito forte, na as cabines com vasos ficavam logo na frente da parede onde estavam pendurados, não havia pias ou espelho, apenas os vasos sanitários, que na realidade, davam para fossas, e não esgoto, o que explicava o acúmulo de mau cheiro. O mascarado foi até uma das cabines, lá dentro, além do vaso entupido de porcarias, havia uma pá encostada do lado do recipiente para dejetos humanos, ele a pegou, e tranquilamente retirou uma quantidade daquela pasta marrom velha, que não descia, e fedia horrivelmente, com esta pá a uma boa distância do próprio corpo, levou tudo aquilo para as vítimas, que sentiram o odor cada vez mais perto, dava para ver em seus olhos o quanto estavam horrorizados, um mar de fezes humanas em uma pá e eles imobilizados.
- Senhores, é uma nova experiência para todos vocês, então espero que estejam prontos. – Ele bateu palmas, e se colocou suas literalmente imundas mãos na barriga de Betina, que tentou se debater, mas apenas sentiu apenas mais dor assim, e parou, sentia seu coração acelerar ainda mais do que já havia acelerado, em pânico profundo, mas quando mais se debatesse, mais os pregos por seus membros a machucariam, e sabia que não ia dar para sair, no máximo rasgaria mais a carne, talvez isso fizesse que morresse mais rápido e sofresse menos, mas não tinha como fazer. Colocou suas literalmente imundas mãos na barriguinha dela, podia sentir o corpo que tremia, e sentia um profundo prazer com isso, aprofundou a sua afiada lâmina, penetrando na pele da garota, que tremia mais e mais, exatamente sobre o umbigo, penetrou até que atingisse a carne vermelha, deslizou o dedo como um habilidoso cirurgião, fazendo um rasgado na barriga da garota, da região do umbigo até o cerca de 2 dedos de distância dos seios, cortou apenas a pele e a carne, mas garantiu que não teria feito nenhum dano aos órgãos internos, o que poderia matá-la. A dor era lancinante, ela pôde sentir ser rasgada como um pedaço de carne viva, uma cesariana sem anestesia, a sua região de seu abdômen doía como o Inferno, e o pior era não poder gritar enquanto tremia, e sentia sangrar pelo corte, embora não muito, e nem mortalmente, embora o corte fosse como um cirúrgico, não podia ser “totalmente limpo”. Os outros dois fecharam os olhos, não queriam mais ver aquilo, mas podiam sentir a mesma coisa que a baixinha sentia, as piores emoções. O cheiro de merda era insuportável, havia moscas voando dentro daquela casinha iluminada à luz de velas, aqueles insetos pousavam sobre seus rostos, e então balançavam a cabeça, para espantá-las, mas acabavam voltando, ou indo para outra parte do corpo em que não poderiam ser espantadas devido à imobilização.
Ele se agachou na frente dela, o maníaco sentia o profundo cheiro de carne humana no nariz quando abriu a barriga da garota, então pegou no cocô na pá usando a própria mão, algo nojento e horrível, passou por dentro do corte, recheando o corpo da menina com excrementos. Ela olhava tudo, paralisada de dor, medo, e claro, pregos que a prendiam, lágrimas saíam sem parar dos seus olhos, sentiu aquele sólido pastoso e úmido diretamente no seu sistema digestório, não agüentou de tanto nojo, era o tipo de abominação que nenhuma pessoa com o mínimo de saúde mental agüentaria. Então vomitou em grande quantidade, mas por causa do grosso duréx que prendia sua boca, tudo voltou, e ainda mais enojada, vomitou de novo, e volto, e vomitou, e voltou, e apenas ia vomitando mais e mais, enquanto o mascarado permanecia enchendo seu interior de bosta. Ele assobiava enquanto fazia a repugnante “cobertura interna”, não dava para imaginar que tipo de porcaria planejava, mas enquanto ele fazia isso tranquilamente, sem olhar para cima, apenas olhando aquele belo intestino cheio de fezes, ela vomitava, e se sufocava, se engasgando, mal podia respirar, cada vez ficava pior, sentia a garganta queimar, a boca entupir, o fôlego sumir rapidamente, o coração acelerar muito mais do que já estava, o que já não era pouco, e um leve e gradual escurecimento das vistas. Não demorou muito para que visse tudo escurecer de vez, morta engasgada com o próprio vômito, não podia controlar as náuseas e os vômitos, e com tudo voltando, morta não poderia mais sentir dor e nem tremer de medo e dor, ficando inanimada.
- Minha primeira obra, é maravilhoso, posso sentir seu corpo perder a vida. – Com a mão fora do interior do cadáver, apoiou a máscara no corte, não sentia nada, nada daquela que deveria estar tremendo absurdamente ou se debatendo ou algo parecido, estava inanimada, morta. Se levantou, e puxou de uma vez o duréx da morta que tinha os olhos ainda abertos, o vômito que tinha lá dentro saiu todo, parecia que uma garrafa de 2 litros de gosma amarela cheia de pedacinhos sólidos cremosos tinha sido tirada da garganta da garota, sujou o chão toda, a boca dela se manteve aberta depois de ser descolada, mas pra sempre sem vida. O maníaco de dois passos pro lado e olhou para o menino que ficava de olhos fechados chorando, com a agonia pela qual passava, chorar de olhos fechados não era algo difícil, enormes e desesperados rios escorriam de seus olhos pequenos, passando por todo o rosto.
- Hum, de você eu não gostei tanto, vou te matar rapidamente. – Sem se abaixar, atravessou a carne do rapaz pouco abaixo do umbigo, ele daria dado um grito, mas realmente não podia, apenas podia sentir a demoníaca sensação que se seguia, o mascarado rasgou seu corpo até a altura do peito, abrindo com o mesmo estilo cirúrgico usado na outra vítima, mas dessa vez, colocou a mão dentro do infeliz, e cortou fora seu coração, causando uma morte mais imediata e rápida, mas não poderíamos dizer indolor. Estava morto, era doentia a dor de ter o corpo rasgado, mas até havia sido rápido, um único rasgado mortal. O sangue saiu junto com as entranhas de sua vítima, as tripas ficaram penduradas junto com o intestino, além de tudo, os rasgados haviam sido tão profundos que atingiram todos esses órgãos, que rompidos, deixaram o suco gástrico e a comida semi-digerida sair, exalando um grotesco cheiro de morte.
O odor impregnava totalmente o ar, e a sobrevivente sentia o cheiro com os olhos bem fechados, assombrada, imaginava o que podia ter acontecido, mas não tinha coragem de abrir seus olhos, e mesmo com eles fechados, chorava sem parar, tremia de terror e frio, afinal, estava pendurada nua e já era tarde da noite, quando a temperatura em Brasília cai drasticamente. Aquele mascarado parecia um morto vivo, um ser sem alma, sem coração, mesmo sem ver seu rosto, sua própria existência, presença, energia eram como de algo sem vida, mórbido, perturbador e condenado, uma maldição com pernas, uma praga em pessoa. Betina pôde sentir os dedos finos e compridos arranhando suas coxas, inacreditavelmente sentiu um certo tesão, não era a hora certa para isso, mas não podia evitar, mesmo quando ele cravou suas unhas afiadas na sua carne, rasgando, era extremamente estimulante e doloroso, ao mesmo tempo que sofria com o odor fortíssimo de fezes e dejetos humanos, doía muito, mas naquela menina, havia um certo efeito sexualmente agradável, principalmente quando o seu cruel carrasco retirou parte da máscara, deixando a boca de fora, e lambendo os rasgados em suas pernas, por onde o sangue escorria para os lábios finos do assassino.
- O sangue é a vida de toda a carne. – Bebia o sangue maliciosamente, enquanto ela enlouquecia com aquela horrível sensação de dor, medo, desespero misturado com uma gota de tesão. Quando já não sangrava muito, pego mais excremento na pá do banheiro, e bateu na parte intima de Betina, uma pancada do objeto cheio de merda, a dor foi muito forte, foi uma pancada dolorosa que deixou as coxas e a vagina horrivelmente vermelhas e doloridas, e sujou tudo totalmente com aquelas porcarias. Ela sentiu aquilo, e todo o prazer que sentia se transformou em um intensificado nojo, sentindo as fezes dentro da sua vagina, e nas coxas, agoniante, e insuportável. - E as fezes são o que sobra de toda essa vida, isto é, a morte, a imundície e todo o mal. – Ele colocou de novo a máscara, e começou a rir, se levantou de seus joelhos caídos e removeu o duréx da boca dela, que deu um grito extremamente alto, e cuspiu nele, acertando na máscara, foi nessa hora que ela conseguiu ver os olhos dele pelos buraquinhos, eram aparentemente negros, pequenos e indiferentes, mas não assustadores como ela esperava, lembravam um pouco os olhos de uma criança.
- Me tira daqui, por favor, por favor. – Ela gritava sem parar, chorando em pânico, agora que podia gritar, gritaria, e de algum modo ainda tinha esperança de que o mascarado teria piedade.
- A imundície. – Ele bateu com a pá na garota, que não pode se defender, não foi com força, mas encheu a face dela com as fezes, parte dela entrou em sua boca, sentindo o gosto do excremento, vomitou sem parar, sem conseguir remover aquele odor e sabor grotesco e pungente, vomitou muito, no chão, e o carrasco apenas assistia, ela nem podia gritar, de tanto que vomitava, dava para ver do café da manhã até o lanche da tarde dela escorrendo pelo chão, pedacinhos de pão, carne, miojo e biscoito boiavam no suco laranja.
- Vamos tentar de novo. – Dessa vez ele pegou bosta com a mão, e enfiou no nariz da menina, que tentou virar a cabeça, mas ainda foi atingida, no meio do nariz, não doeu, mas sentiu novamente aquilo em cima dela, em maior quantidade, seu rosto estava coberto por uma máscara de cocô a essa altura, não agüentava mais, voltou a vomitar, dessa vez só saía água, toda a comida já havia saído, removia todo o líquido de seu corpo, ficando cada vez mais fraca, e vomitava sem parar, se sentia cada vez mais fraca, e sua consciência parecia cada vez mais afetada, começando a ouvir um estranho zunido nos seus ouvidos. Vomitou mais e mais, botando pra fora os fluídos naturais do seu corpo, totalmente desidratada, enquanto o carrasco assistia e se deleitava, a essa altura, ele estava com a mão dentro das calças, certamente se masturbando, um grotesco e repugnante fetiche sexual desviado, a mais bizarra das parafilias, pior que scat, apotemnofilia, bukkake, golden rain, sadismo, masoquismo, frotteurismo, fetichismo, bondage, incesto, necrofilia, voyeurismo ou qualquer outro desejo pervertido da mente humana. Ele baixou suas calças e sua cueca, enquanto a garota ofegava, não vomitando mais, imunda de bosta, em pânico, sem forças nem mesmo para soltar um palavra, e sem nem mesmo conseguia vomitar mais, era incrível que ainda estivesse viva, sentia uma sensação profunda de morte, se sentia realmente como se estivesse morta, mas uma morte que ainda sente as dores e o sofrimento que um vivo sente, sentiu o comprido pênis do mascarado entrar na sua buceta suja, e logo ele começaria a penetrá-la em um ritmo crescente, agressivo e selvagem. Nos momentos seguintes, ela se retorceria com um prazer mórbido, era como ter o cadáver violentado conscientemente, se sentia fraca demais, definitivamente semi-morta, mas também sentia aquele membro entrando e saindo de sua intimidade intensamente, aquele criminoso era realmente habilidoso em seus movimentos. Foram momentos muito longos, ela não podia descrever aquela sensação, era terrível, ter o cadáver vivo estuprado enquanto estava em um nível absoluto de exaustão, sem nem ao menos pensar direito ou mover um músculo, e o pior era que era muito excitante e prazeroso ao mesmo tempo que era diabolicamente doloroso, ainda sentia as fezes grudadas no seu rosto e na sua vagina. O assassino retirou seu pau sujo da garota antes de qualquer um dos dois gozasse, e levantou novamente suas roupas.
- Senhorita, espero que tenha gostado da sua última vez. – Sussurrou no ouvido dela, que queria muito gritar, mas não conseguia, e a arrancou com uma violenta mordida, o pior de tudo é que ela não podia reagir à dor, não demorou muito para que começasse a marcar seus braços com arranhões, e logo repetiu o mesmo pelo corpo inteiro, fez tantos longos e profundos arranhões que parecia que tinha sido atacada por centenas de gatos ao mesmo tempo, sangrava por cada corte, saía um pouco de sangue de cada um, e se não fosse socorrida, com certeza morreria, a dor que lhe foi infligida para fazer todo aquele “trabalho”.
Ele se afastou, e observou bem a visão que tinha diante dos olhos, era uma obra prima, a menina imóvel, viva, cheia de cortes no corpo, cheia de fezes entre as coxas e no rosto, e de brinde algumas gotas de vômito no queixo, por mais nojento que fosse, ele adorava o que via, era uma espécie de arte estética para ele, mas ainda faltava um toque final.
- Você deve querer a morte, mas poderá tê-la.
Ele usou as fezes para estancar os sangramentos, tampando os ferimentos, usando o excremento como cola, assim, ela não morreria tão rápido, mas deixou dois ferimentos abertos por onde o sangue saía, nos seios mas a repulsa apenas aumentava, e foi lá que ela ficou, ele soprou cada uma das 9 velas no local, deixando a escuridão tomar totalmente o banheiro onde os horrores ocorreram, e se retirou tranquilamente, deixando a última vítima sangrando devagar, morrendo aos poucos, sentindo muita dor, embora já como uma morta-viva.
sexta-feira, 23 de abril de 2010
Casa da Agonia
Esta história é baseada em fatos reais:
Casa da Agonia
Era um local onde a natureza se encontrava em paz, no parque da cidade de Brasília, dia 21 de Abril, durante o aniversário da cidade. Toda a população se reunia em um grande show na Explanada dos Ministérios, enquanto na parte verde do Parque da Cidade, apenas formigas e pássaros habitavam. Por entre as folhas escurecidas pelas sombras da noite, algumas caídas e secas no chão de terra negra de alta fertilidade, eucaliptos e pinheiros atípicos da região que bloqueavam a luz lunar, e competiam por cada raio de espaço. Pequenas trilhas de pedras feitas por mãos humanas guiavam a um pequeno banheiro no meio do parque artificial, vazio de pessoas, absolutamente abandonado e solitário. A casinha feita de madeira era da mais primitiva espécie de construção humana, naturalmente com uma entrada para homens e outra para mulheres, em seu interior, um fétido odor de dejeto poderia impregnar as narinas de qualquer um, que, sem escolha, ousasse entrar para contribuir com o mau cheiro, satisfazendo suas necessidades mais fundamentais. Mas havia outros odores naquele local, além do de excrementos e urina, algo penetrantes e perturbador, que apenas tornava a casinha mais desagradável.
Três adolescentes ousaram andar por aquelas bandas, duas meninas e um menino, respectivamente de 10, 15 e 16 anos, a mais nova era uma morena alta e bonita, a segunda uma negra baixa com espinhas e óculos, e o terceiro um branco muito baixo com cabelo grande e espinhas. Por algum motivo, andavam naquele local deserto, abandonado e perigoso depois de 8 horas da noite, quando a única iluminação disponível era alguns escassos raios da lua.
- Caralho, Betina, eu falei que a gente deveria ter ido embora mais cedo, agora a gente nem sabe como a gente sai desse lugar! – O menino gritou com a menorzinha, que gritou de volta, com todo o desaforo carregado na voz.
- Cala a boca, Paulo, olha ali, uma casinha, quer dizer que a gente está mais próximo da saída. – Apontou para a casinha com o dedo indicador, dali, já podia sentir um leve e desagradável odor, estavam a poucos metros, uns 15, mas dava para ver a precária construção, que ficava em uma pequena clareira entre os compridos eucaliptos, e por isso, era um pouco melhor iluminada pela luz da lua
- Eu não quero ir no banheiro, eu quero sair daqui, mas tá tão escuro que a gente mal vê onde anda.
- Mana, eu to com medo. – A mais nova podia ser alta, mas ainda sim era mais nova, já estava quase chorando, algo fácil de se perceber, mesmo no escuro, por causa da sua voz.
- Se acalme, Brenda, não precisa chorar, a gente já vai sair daqui, e de qualquer modo, tá tudo bem, no máximo a gente vai ficar um tempão aqui e não achar uma saída.
Foi como se uma grande sombra envolvesse a vista de cada um deles, um vazio de inconsciência imediata surgisse na forma de três dardos que foram lançados nos seus corpos, um por um, em um intervalo de tempo tão rápido que não pudesse ser evitado, e de modo que cada um desmaiasse, sobre o efeito de alguma poderosa droga, em menos de um segundo, era uma metralhadora não-fatal, como vindo de outro mundo, sutil e oculto na relativa escuridão da noite brasiliense.
Foram preparados três altares dentro da casinha, estava iluminado com luz de velas, exatamente nove velas, duas em cada lado e uma na frente de cada uma delas, as três vítimas estavam pregadas nuas à parede pelas mãos, pés, pernas e braços, eram pregos de 15 centímetros, gigantescos, havia um em cada mão, dois em cada braços, na região do antebraço, dois em cada perna, nas canelas, e um em cada pé, os corpos estavam em posição de crucificação, mas a cruz era a própria parede de madeira, que já apresentava vários pequenos buracos da mesma espessura dos pregos, todos vivos e quentes, foram pregados enquanto desmaiados, um trabalho minucioso e habilidoso feito por um profissional sádico, habilidoso e louco. O primeiro a despertar daquele estranho sono, e se encontrar em uma desesperadora dor física foi Brenda, que deu um grito quando percebeu a dor que sentia nos locais perfurados, por onde escorria certa quantidade de sangue, pequena por causa dos pregos bloqueando as perfurações feitas pelos mesmos. A menina viu, com lágrimas nos olhos, a perturbadora e inacreditável imagem de um garoto vestido de terno, usando uma máscara branca de comédia, o mesmo tipo usado pelos antigos gregos para representarem cenas de felicidade, risos e comédia, mas essa parecia ser feita da vinil, aquela pessoa, que era do mesmo tamanho da irmã mais velha, usava também uma calça social preta, era como uma criaturinha vinda direto do Inferno, uma antítese macabra de refinação e horror, não dava para ver seus olhos, e nem mesmo para saber se eram os pregos ou a sua presença que tornavam o momento tão assustador. Brenda sentia seu corpo tremer, e não conseguia falar nada, apenas gritar, gritou diversas vezes, mas não eram palavras que saíam, eram sons animalescos devido à toda a dor que sentia, além da sensação de ter seu corpo perfurado, ainda tinha o desprazer de encarar o mascarado, que a olhava fixamente com aquele sorriso cínico e artificial. E ela também o olhava fixamente, como se um fio conectasse seus olhos em uma linha definitivamente reta, tanto que a pobre menina nem percebeu que sua irmã e seu amigo estavam do seu lado, o odor vindo dos vasos do local também era infernal, mas naquele momento, era o menor dos incômodos.
- Senhorita, desculpe pela falta de educação, mas devo dizer-lhe que estás agora na minha casa, e que quero que se sintam à vontade, por isso tomei a liberdade de prendê-los, assim se sentirão confortavelmente posicionados para os eventos que aqui ocorrerão. – O mascarado tinha uma voz tranqüila, grave e fria, definitivamente não dava nem para imaginar que idade teria.
Brenda não respondeu, apenas continuou gritando, chorando, soltando suas lágrimas em pânico, era duro para uma criança de 10 anos ser crucificada em um banheiro abandonado cheio de bosta, foi nesse momento que ela virou seu olhar para a direita, e viu sua irmã, pendurada do mesmo modo que ela, ver a amada mana naquela situação foi pior do que toda a dor que já havia tido pelas perfurações, um vazio universal tomou conta de seu coração, junto com o mais profundo desespero, que fez com que a saída de lágrimas acelerasse tão rápido quanto uma bala de Uzi.
- É, seus amigos também foram pegos, e bem, a diversão só irá começar quando eles acordarem. – Não dava para ver sua expressão devido à máscara, colocava a mão no bolso para pegar alguma coisa, era um rolo bem grosso de duréx, a garota continuava gritando, ele se aproximou em poucos passos apressados, segurou firmemente a mandíbula da vítima, e colou com a fita, amarrada, ela não podia tirar, e apenas com a boca, não conseguia fazer nada, agora, além de toda a dor e medo que sentia, teria seus silenciosos gritos abafados. Ele fez o mesmo com os outros dois, com que teve uma facilidade bem maior, devido ao fato de estarem inconscientes, porém, Paulo acordou no momento que teve a boca lacrada, tentou um grito ao ver a bizarra máscara feliz na sua frente e ao sentir a lancinante dor uma crucificação, mas não deu em nada, porque simplesmente não havia como soltar som algum, o desespero era como uma enchente naquele momento, inundando seu corpo, seus vasos sanguíneos, e o mais profundo de sua alma.
- Agora só falta um. – O maníaco foi até Betina, ainda adormecida, e lhe deu dois tapas no rosto, sem nenhuma reação, ele ainda insistiu em sacudir sua cabeça diversas vezes, até que pôde se perceber algum sinal de vida quando ela lentamente abriu os olhos, aparentemente exausta, e como os outros, tentou dar um grito com as dores e a visão da máscara de seu sorridente torturador, e não conseguiu. O odor desagradável que não era de dejetos humanos se tornava cada mais perceptível, e pintava com maior medo, aquela quadro doentio feito pelo mascarado, que com um gesto de palmas demonstrou a cruel realidade:
O horror apenas começava.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
O Menino Satanista
Varg Vikernes aprova essa postagem.
Essa história foi feita em um dia de inspiração, uma blasfêmia, um absurdo! Satanistas deístas xiitas vão odiar, e cristãos xiitas mais ainda.
Brasília,Brasil 08/09/2001
“Derrotado nos meus primeiros jogos, mas mesmo assim estou fascinado por tão criativo jogo, tenho me interessado por assuntos por muitos assuntos obscuros desde que era bem como, o RPG Goetic apresenta muito bem esse contexto, a guerra entre as legiãos infernais goéticas e os anjos tradicionais das nossas tolas religiões ocidentais. Procurando no Google, percebi o quanto tudo isso é fascinante, se eu pudesse invocar meu próprio demônio e vender minha alma, me sentiria bem melhor, mas talvez isso não fosse o bastante, eu sinto como se eu fosse destinado a algo mais, a muito mais.” O garoto pensava concentradamente enquanto fazia pesquisa sobre pactos sobrenaturais no famoso site de buscas.
“"Óh Tudo o que é luxurioso e vil, Óh almas zombeteiras, Óh almas perturbadas e doentias, Òh demônios infernais, venham todos a mim, eu abro meu corpo para que habitais nele! Venham a mim e me sirvam, me tragam tudo o que eu desejo, e eu retribuirei com ódio e terror sobre a terra! Eu em plena consciência e sabendo das conseqüências cármicas, invoco todas as hostes infernais ao meu serviço e em troca serei teu escravo até que se esgote todo o cárma que eu contrair, Meu nome era (fulano de tal) agora é Ragnarát, agora é Ragnarát, Agora é Ragnarát. Isso é o melhor que posso achar? Não, não me convence, por que Ragnarat? Satã que me perdoe, mas prefiro ser chamado de Josimara, esse nome me lembra Ragnarok, e eu já passei da fase de jogar aquilo. Eu usaria outro nome para mim mesmo, embora ainda não tenha certeza de qual, mas assim não funcionaria um desses pactos clássicos, mas acredito que o verdadeiro segredo esteja na parte de eu acreditar e realmente estar disposto a pagar o altíssimo preço que o mestre pedirá. Tem uma figura que sempre tem me interessado bastante, talvez se eu mudar esse ritual um pouco, eu possa fazer exatamente como pretendo” Ele digitou rapidamente alguma coisa e imprimiu logo depois, seus pais ausentes não se importavam com o fato dele estar imprimindo invocações de demônios no computador da família, só não queriam ser incomodados.
“Pronto, agora basta eu ir a algum lugar livre de presenças incômodas, aqui diz que beber e fumar deve ser o bastante, mas eu sou um verdadeiro ser demoníaco, maconha talvez seja o bastante, ainda bem que tenho uns 10 baseados escondidos na minha gaveta, nada como ter dinheiro livre para ser gasto, melhor ainda é ter um conhecido dono de bar que te vende Pedra 90 sem frescura de maioridade.” Ele guardou o papel dentro da cueca, pegou seus baseados escondidos na gaveta em que ninguém nunca mexia e colocou tudo na mochila que deixava em cima da cama, colocou nas costas e saiu do quarto, sem nem mesmo desligar o computador, desceu, saiu sem dar satisfações a ninguém e foi para o bar onde costumava ir, às vezes. Havia comprado uma corrente em forma de lobo no dia anterior, estava no bolso, na verdade, possuía uma placa com um lobo esculpido.
- Véi, quero 4 garrafas de Pedra 90? – O menino deixou 10 reais na recepção, onde o velho vendedor esperava pelos seus clientes.
- Tá querendo morrer hoje, menino? – O homem riu, deixou as 4 garrafas da forte cachaça sobre o balcão, junto com o troco.
- É, quero sim. – Ele sorriu e pegou as garrafas, colocando-as dentro de sua mochila, saiu sem falar mais nada, agora só faltava achar um lugar apropriado. Procurou e encontrou um lugar perfeito para o que iria fazer, um Shopping, o Pátio Brasil.
“Genial, esperarei que eles fechem tudo para ficar sozinho aqui, então quando estiver só, farei tudo que preciso e talvez ainda use os objetos das lojas para me auxiliar.” Pensava animado, se escondeu nas escadas de emergência, lá ele ficou enrolando até que ouviu os passos de um funcionário, ele se escondeu como pôde, já era hora de fechar o mega estabelecimento, e foi exatamente o que foi feito alguns minutos depois, todas as luzes foram apagadas e ele acabou sozinho, dentro do Shopping, sem ninguém para atrapalhá-lo.
- Todo meu! Esse lixo é todo meu! – Começou a gritar feliz, era o tipo de maluquice que sempre sonhou em fazer, tirou suas garrafas de cachaça da mochila e virou uma de uma só vez, provando que era um verdadeiro pé de cana e que seu fígado eram de ferro. Ficou bem tonto com a primeira garrafa, mas ainda tinha que beber muito, o difícil seria conseguir ler o que havia imprimido, por isso que fez com letras bem grandes e legíveis.
“Acho que mais 2 garrafas e 2 baseados serão o bastante. – Bebeu outra garrafa logo depois, e outra, com mais dificuldade, depois da segunda, bebia muito rápido, mas a essa altura já estava bastante bêbado, tentou subir as escadas para chegar no centro do Shopping, teve que subir rastejando, pois estava tão bêbado que não conseguia andar direito.
“Agora só mais dois baseados.” Era impressionante que ainda conseguisse pensar, quando já estava na área comercial do estabelecimento, longe das escadas de emergência, difíceis de se subir sob o efeito de álcool, mas então pegou sua maconha e acendeu com um isqueiro que sempre levava no bolso, fumou com bastante prazer, logo já estava tendo alucinações, via lobos correndo em volta do seu corpo, eles uivavam alto e chamavam por seu verdadeiro nome, eles também pronunciaram outro nome.
Se eu fosse escolher um nome, seria algo baseado no meu personagem favorito dos jogos de monstros, os lobisomens, minha paixão poderia representar muito bem, sem falar que como um bom estudante das artes ocultas, o lobo sempre é um excelente símbolo, um predador nato e independente. Tá aí, eu gostaria de me chamar lobo, nunca gostei do nome tosco que meus pais me deram, e vendo que eles chamam por mim
“Se eu fosse escolher um nome, seria algo baseado no meu personagem favorito dos jogos de monstros, os lobisomens, minha paixão, eles poderiam representar muito bem sem falar que como um bom estudante das artes ocultas, o lobo sempre é um excelente símbolo, um predador nato e independente. Tá aí, eu gostaria de me chamar lobo, nunca gostei do nome tosco que meus pais me deram, esses lobos em volta de mim não podem ser mera coincidência, já está na hora de invocar o mestre.” Pensava como se estivesse sóbrio, colocou a mão dentro das roupas íntimas, tirou o papel que havia imprimido, havia a sua própria invocação escrita com letras grandes e legíveis, se ergueu com esforço, e conseguiu, podia ser um garoto bastante irresponsável, mas era forte, e suas irresponsabilidades haviam moldado resistência física e mental nele através de duras experiências das quais nunca se arrependeria. – Pegou a corrente no bolso e colocou no pescoço, com dificuldade.
- Óh não nascido, de tudo o que é luxurioso e vil, oh almas perturbadas e doentias, oh demônios de todas as legiões infernais, venham todos a mim, eu abro meu corpo para que habitais nele! Venham a mim e me sirvam, me tragam tudo o que eu desejo, e eu retribuirei com ódio e terror sobre a terra! Eu em plena consciência e sabendo das conseqüências que se abaterão sobre mim, invoco todas as hostes infernais ao meu serviço e em troca serei tua ferramenta até que meu corpo apodreça sobre meu próprio pecado e perdição. De tudo que há de imundo e profano, eu deixaria que todo o mal habite em mim e me transforme em um novo ser, meu nome era. – Tossiu na hora de falar seu nome, estava segurando, e soltou no momento indesejável, já que chegava a odiar pronunciar seu nome, lia a folha atentamente, com dificuldade por causa do álcool, ele estava tão doidão que as letras dançavam diante de seus olhos e saíam da folha, como seres voadores vindos diretamente do Inferno, algumas partes ele nem conseguia, mas conseguia se lembrar das partes muito embaçadas ou "agitadas". – e agora meu nome é Lobo, agora sou um lobo, predador de homens, um demônio sob a pele de humano, um verdadeiro lobo infernal, abdicando de toda a minha paz para ir no caminho imundo do prazer mundano, meu mestre. – Em nenhum momento ele pronunciou o nome da entidade, mas sua mente se concentrava bem na criatura que apareceria diante de seus olhos, continuava vendo e ouvindo os lobos correndo à sua volta, seu coração estava disparado, a emoção era muito forte, segurava o colar de lobo, a partir desse momento, aquele colar teria um significado especial, e sempre o usaria.
- Eu estou contigo, filhote de lobo. – Uma criatura sem rosto falou para ele, podia ser um mero delírio, ou não, o fato é que o garoto o via ainda melhor do que via o chão em que pisava, e aquela voz poderosa o fazia sentir um certo temor.
- Meu senhor, habite em mim. – Ele se ajoelhou, implorando à criatura.
- Entrarei em seu corpo e seremos como um só, filhote de lobo, escreva tudo que eu pronunciar para você nos próximos momentos a partir do momento em que eu disser que deve. – O ser foi para cima dele, que sentiu uma sensação impossível de se descrever, como se ele morresse, fosse engolido pela escuridão e renascesse, os lobos continuavam rodando.
- Meu senhor. – Tirou uma caneta do bolso da calça, felizmente sempre levava, já que era sempre útil ter algo para escrever no caso de necessidade, como naquele momento.
- Ele está no meu corpo, aquela entidade superior cuja face não pode ser vista, sou agora o verdadeiro terror encarnado, livre do medo e da culpa, as mais fracas emoções humanas, ele me guiará para que obtenhamos tudo que nós desejamos, e uma vez morto como humano, estarei vivo como um verdadeiro lobo, e o mestre continuará mesmo que meu corpo físico morra, no corpo de outro que me sucederá caso eu falhe em minha difícil e prazerosa missão, e esse colar que uso representa seu poder, essa corrente representa ele. Assinado: Lobo. – A voz vinha da própria cabeça dele, como algum tipo de dupla personalidade.
Tudo foi escrito pelo garoto, a partir daquele momento, ele teria duas pessoas dentro da sua cabeça, ou pelos acreditava que teria, foi uma confusão quando o encontraram desmaiado no Shopping totalmente bêbado e drogado, felizmente ele jogou as garrafas que viria a consumir após o ritual, no lixo, nem chegando a serem percebidos pelos distraídos funcionários do local, que apenas o expulsaram e deram uma tremenda bronca em seus pais, que o deixaram de castigo.
Brasília,Brasil 10/03/2001
- Eu te apresentei esse jogo há poucos meses, agora você vence praticamente todos aqui na Doberman RPG! – O mesmo menino de 14 anos falava para o de 11, que havia vencido todos na pequena loja, além de ter aprendido os jogos que foram ensinados pelo companheiro, o menino de óculos havia aprendido muitos outros e se tornado um mestre em quase todos os tipos de RPG.
-Walter, eu repeti de ano na minha segunda série e não faço a mínima idéia do que seja divisão, mas quando jogo RPG eu me sinto verdadeiramente vivo, na verdade, se eu pudesse eu faria com que esse jogo se tornasse real.
- Não exagera, não tem como fazer isso.
- Não, eu farei. Daqui em diante quero que todos me chamem de Lobo, aquela criança que era péssima em todas as matérias e ficava arrumando briga não existe mais, agora só existe um RPGista fervoroso que irá liderará o maior clã que já existiu.
- Com seu talento, não duvido, toda sua burrice na escola é compensada aqui.
- Então vamos, nosso grupo será conhecido como o Círculo das Depravações.
- Que merda de nome é essa?
- O nome que combina com o criador. Mas devo admitir, é inspirado na gangue de um grande vagabundo de nossa cidade, Zé Lobo, a gangue dele se chamava Círculo dos Depravados, e bem, eles tão todos mortos, li isso no G1, muito foda. Ele é o Zé Lobo, e eu sou Lobo, porque não sou nenhum Zé, haha.
- Realmente, combina muito.
domingo, 11 de abril de 2010
A Assustadora Alma das Ruas
Brasília, Brasil 13/01/2002
Estavam em um terreno baldio, tarde da noite, não havia ninguém por perto, só aqueles três garotos vestidos com roupas largas, pareciam jogar algum jogo de tabuleiro.
- Venci de novo. – O Garoto de óculos escuro venceu a partida com uma jogada qualquer, era um jogo de três, mas de turnos.
- Chefe, você sempre vence. – O menor reclamou, apesar de estar bem humorado.
- Claro. Espero que tragam nosso brinquedo logo. – Ele puxou um cigarro do bolso, acendeu com um isqueiro e fumou.
Vieram mais quatro garotos, segurando uma garota de grande beleza que esperneava e gritava, eles deixaram a vítima na frente do vencedor da partida, ela gritava com desespero por socorro, chorando, mas ninguém ouvia, não tinha ninguém além deles lá.
- Como a conseguiram? – O líder soltava fumaça do cigarro pela boca, e olhava a garota.
- O que vocês querem comigo? Por favor, me deixem ir. – A menina chorava, abaixou o tom, vendo que estava de frente para o chefe da gangue.
- Tava andando em uma rua vazia aqui perto, a agarramos, batemos nela, tampamos a boquinha e trouxemos, ela esperneou muito, mas foi só apontar uma faca pro pescoço que ela parou de tentar fugir, escondemos a faca quando estávamos chegando aqui, deixamos ela gritar, e agora ela está aqui. – O maior de todos eles, um dos que haviam levado a garota que falou, tinha um bom humor admirável.
- Por favor, o que vocês querem? – Ela insistia, ainda chorando.
- Vocês a deixaram gritar só para sentir o prazer de vê-la cheia de medo? – O líder parecia sério, falava com frieza.
- Sim, exato. – O mesmo marginal grande falou.
- Ótimo, tragam ela pra mais perto.
A visão das estrelas e da lua cheia era algo indiscritível naquela noite, gritos femininos cheios de pânico e desespero atravessavam a noite.
Brasília, Brasil 14/01/2002
Os mendigos estavam conversando naquele beco, bebiam garrafas de Pedra 90 enquanto isso.
- Pedra 90 é a melhor coisa que já criaram. – O mais cabeludo comentava.
- Realmente, uma garrafa e a gente já fica todo feliz, não sei porque tem gente que usa drogas quando pode beber Pedra 90. – O outro falava enquanto a mesma garota que havia sido raptada na outra noite passava por eles, tinha a expressão triste e quase chorava, só com trapos, toda machucada, olho roxo, cabelo bagunçado, arranhões, entre outras marcas.
- Ei, você é nova aqui? – O cabeludo perguntou à garota que passava.
- Não sou mendiga, fui estuprada. – Ela segurava para não chorar.
- Estuprada? Meus Deus! Que fez isso? – O menos cabeludo fez uma cara de susto.
- Uma gangue de marginais .
Já era noite, a mesma gangue estava no mesmo local onde haviam estuprado a garota na noite anterior, tocavam a música You Don’t Know cantada por 50 Cent, Eminem, Cashis e Lloyd Banks enquanto bebiam Smirnoff e dançavam, havia uma pessoa desmaiada no chão, uma garota, dançavam e esperam que acordasse.
A música tocava, o líder da gangue pensava em sua infância, sentado no chão:
Imagens de uma criança pedindo esmolas na rua para um adulto, ele estendia sua mão, mas o homem dava um tapa em suas mãos e o repreendia com gestos agressivos e de expulsão, fazendo ele sair correndo. Depois se lembrava da primeira vez que roubou, se viu correndo de um vendedor, levando um salgadinho, conseguiu escapar, deixando o vendedor furioso, fazendo gestos agressivos. Viu-se apanhando de três rapazes em uma rua deserta, dois o seguravam e o terceiro o batia. Viu-se ganhando uma arma de seu protetor, um adulto com pinta de malandro. Viu quando encheu seu protetor de tiros no peito, com todo os outros três da gangue olhando, os três se ajoelharam e pediram por piedade, que foi aceita, já que ele gesticulou para que se levantassem, e se levantaram. Viu a imagem de um homem vestido de jaqueta de couro e sua gangue de 3 membros atirando em sua gangue, que na época tinha 4 membros, eles atiraram contra os inimigos, mas seus companheiros morreram antes, e os do outro grupo também, só restaram ele e o líder da outra gangue, que tentou atirar nele, mas não soltou nenhuma bala, pois a arma estava vazia, nesse momento o inimigo fez cara de desespero e saiu correndo para cima dele, ele tentou atirar, e acertou 4 balas nos peito do cara, descarregando a arma. Ele estava de colete, se jogou sobre o garoto e começaram a lutar no chão, dando murros e rolando. Viu-se brigando com outro membro da gangue em cemitério, só para treinar as práticas marciais, se viu apontando a arma para uma menina que chorava e se viu assaltando um rapaz usando sua arma, fazendo com que passasse todo o seu dinheiro.
Voltava à realidade,sentado de frente à garota desmaiada, enquanto os outros ainda dançavam.
- As coisas não estão boas. Essas ruas presenciam cada vez mais horrores. – O mendigo cabeludo falava com desgosto.
- Eu nunca mais vou andar por uma rua vazia. – A menina suspirou.
Era um policial atravessando a rua, viu um grupo de três meninas adolescentes atravessando a rua precipitadamente, sem olhar para os lados, quando chegaram do seu lado, correndo pela calçada.
- Ei meninas, atravessem com mais atenção. – O policial avisou, gritando alto para as garotas que se distanciavam.
Uma outra gangue com 4 meninos atravessava a rua,corria atrás delas, passando pelo policial sem considerar sua presença, e realmente ele não fez nada.
- Ah não, de novo esses bandidinhos. – O mendigo cabeludo ainda estava no beco, conversando com seu amigo e com a garota estuprada, via as três meninas passando correndo por eles e os quatro garotos correndo atrás delas.
- Esperem! – Um dos meninos gritou, o grupo passou pelos mendigos e foi sumindo de vista junto com as garotas em fuga.
- Eu não me conformo com isso, não é só eu. – A menina voltou a chorar.
Brasília, Brasil 15/01/2002
Um velho homem lia jornal em uma mesa de lanchonete.
- Três garotas são encontradas mortas em um beco, suspeitos são presos com a testemunha de mendigos e de um policial, que viu quando os assassinos corriam atrás das jovens.
- José, seu incompetente! Se viu um monte de garotinhas correndo de um monte de moleques, por que não interveio? – Na delegacia, sentada atrás de sua mesa, a delegada brigava com o policial que testemunhou sobre os marginais que atacaram as meninas.
- Eu achei que não fosse algo importante, achava que era uma brincadeira.
- Você causou a morte de três inocentes, é melhor que não repita algo assim, senão farei tudo que puder pra acabar com sua carreira. – Ela falava com fúria.
- Sim senhora.
- Filho, sinto sua falta. – A mulher no cemitério, deixava uma foto sobre o túmulo, era a foto do líder da gangue que havia combatido a gangue do garoto de óculos.
À noite, duas mulheres muito sedutoras andavam em uma rua movimentada, rodavam bolsas, foram abordadas pelo policial.
- Cobram quanto? – Ele olhava interessado.
- 30 reais a hora.
- Pago as duas ao mesmo tempo.
A delegada andava em outra rua movimentada, de frente ao Pátio Brasil, distraída, esbarrou em uma adolescente cheia de marcas.
- Desculpe. – A garota de desculpou, tentando voltar a andar, mas a delegada e a segurou.
- Espere, como ganhou essas marcas em seu braço?
- Eu fui violentada por uma gangue em um terreno abandonado lá pro outro lado.
- Violentada? Eu sou delegada, quero que me leve a esse lugar.
- Acha que possam estar lá ainda?
- Sim, se você foi violentada em um terreno abandonado, certamente sabem o quanto o local é conveniente para o crime, então não é improvável que vão lá frequentemente.
No terreno citado, a gangue do menino de óculos escuro estava de frente para a gangue que havia matado as três meninas.
- Bem, vocês devem conhecer nossa gangue, O Círculo dos Depravados, não é? – O adolescente de óculos perguntava, sentado com os joelhos nas mãos, com os outros de pé.
- Você é o famoso Zé Lobo, eu sou o Urtiga, chefe do bonde do Urtigão.
- Nome ridículo, espero que possam sair logo do nosso caminho. – Lobo lambia a ponta dos dedos, sujas de sangue, então estalou os dedos e seus homens tiraram as armas do bolso, a gangue inimiga fez o mesmo. O céu estava avermelhado naquela noite, sem estralas, ouviu-se o barulho de muitos tiros e gemidos de dor naquela hora.
- Meu Deus! – A delegada chegou no lugar onde havia ocorrido a briga, encontrou todos mortos com balas no corpo, exceto Lobo, que estava sentado no chão de olhos fechados.
- Bem feito, desgraçados. – A menina gritou com ódio e satisfação, foi andando com a delegada até os corpos, foi quando viram o líder abrir os olhos e olhar com ódio para elas, a delegada pelo sua arma e apontou pra ele.
- Parado!
- O que vieram fazer aqui? – Ele estava sangrando na barriga, falando com dificuldade.
- Prender vocês.
- Não me interessa ser preso, prefiro morrer, todos esses anos nas ruas me ensinaram muitas coisas. As ruas são frias, as ruas são duras, as pessoas que estão nas ruas são duras, as pessoas que estão nas ruas são frias, na rua ou você mata ou você vive, é a lei da selva. A alma das ruas é realmente assustadora, em todos esses anos, matei, roubei e estuprei muitas pessoas, mas não me arrependo de nada, eu certamente irei pro Inferno, mas vocês vão juntos. – Ele tirou sua arma do bolso e a apontou para a delegada. Ouviu-se um tio, o céu estava vermelho.
- Acabou que eles se mataram. – A garota passava com a delegada por uma rua de movimento médio.
- Aquele marginal idiota tentou atirar em mim, ainda bem que sou rápida. Já devem ter chegado na cena do crime, ainda bem que hoje estou de folga.
- Se ta de folga, por que foi lá?
- Caso pessoal, minha filha foi estuprada e morta por uma gangue há dois anos .
- Amigo, viver nas ruas é um saco. – O mendigo cabeludo estava conversando com seu amigo no meio da rua, na frente de um bar, bebendo Pedra 90.
-Realmente, mas é nas ruas que vivemos, essas ruas já viram tanta coisa, que podemos dizer que ela é nossa mãe, e que nossa mãe é a mais sabia de todas.
- Verdade, hehe. – Ele deu mais um gole em sua bebida, bem fundo.
Fim