sexta-feira, 23 de abril de 2010

Casa da Agonia


Esta história é baseada em fatos reais:

Casa da Agonia


Era um local onde a natureza se encontrava em paz, no parque da cidade de Brasília, dia 21 de Abril, durante o aniversário da cidade. Toda a população se reunia em um grande show na Explanada dos Ministérios, enquanto na parte verde do Parque da Cidade, apenas formigas e pássaros habitavam. Por entre as folhas escurecidas pelas sombras da noite, algumas caídas e secas no chão de terra negra de alta fertilidade, eucaliptos e pinheiros atípicos da região que bloqueavam a luz lunar, e competiam por cada raio de espaço. Pequenas trilhas de pedras feitas por mãos humanas guiavam a um pequeno banheiro no meio do parque artificial, vazio de pessoas, absolutamente abandonado e solitário. A casinha feita de madeira era da mais primitiva espécie de construção humana, naturalmente com uma entrada para homens e outra para mulheres, em seu interior, um fétido odor de dejeto poderia impregnar as narinas de qualquer um, que, sem escolha, ousasse entrar para contribuir com o mau cheiro, satisfazendo suas necessidades mais fundamentais. Mas havia outros odores naquele local, além do de excrementos e urina, algo penetrantes e perturbador, que apenas tornava a casinha mais desagradável.

Três adolescentes ousaram andar por aquelas bandas, duas meninas e um menino, respectivamente de 10, 15 e 16 anos, a mais nova era uma morena alta e bonita, a segunda uma negra baixa com espinhas e óculos, e o terceiro um branco muito baixo com cabelo grande e espinhas. Por algum motivo, andavam naquele local deserto, abandonado e perigoso depois de 8 horas da noite, quando a única iluminação disponível era alguns escassos raios da lua.

- Caralho, Betina, eu falei que a gente deveria ter ido embora mais cedo, agora a gente nem sabe como a gente sai desse lugar! – O menino gritou com a menorzinha, que gritou de volta, com todo o desaforo carregado na voz.

- Cala a boca, Paulo, olha ali, uma casinha, quer dizer que a gente está mais próximo da saída. – Apontou para a casinha com o dedo indicador, dali, já podia sentir um leve e desagradável odor, estavam a poucos metros, uns 15, mas dava para ver a precária construção, que ficava em uma pequena clareira entre os compridos eucaliptos, e por isso, era um pouco melhor iluminada pela luz da lua

- Eu não quero ir no banheiro, eu quero sair daqui, mas tá tão escuro que a gente mal vê onde anda.

- Mana, eu to com medo. – A mais nova podia ser alta, mas ainda sim era mais nova, já estava quase chorando, algo fácil de se perceber, mesmo no escuro, por causa da sua voz.

- Se acalme, Brenda, não precisa chorar, a gente já vai sair daqui, e de qualquer modo, tá tudo bem, no máximo a gente vai ficar um tempão aqui e não achar uma saída.

Foi como se uma grande sombra envolvesse a vista de cada um deles, um vazio de inconsciência imediata surgisse na forma de três dardos que foram lançados nos seus corpos, um por um, em um intervalo de tempo tão rápido que não pudesse ser evitado, e de modo que cada um desmaiasse, sobre o efeito de alguma poderosa droga, em menos de um segundo, era uma metralhadora não-fatal, como vindo de outro mundo, sutil e oculto na relativa escuridão da noite brasiliense.

Foram preparados três altares dentro da casinha, estava iluminado com luz de velas, exatamente nove velas, duas em cada lado e uma na frente de cada uma delas, as três vítimas estavam pregadas nuas à parede pelas mãos, pés, pernas e braços, eram pregos de 15 centímetros, gigantescos, havia um em cada mão, dois em cada braços, na região do antebraço, dois em cada perna, nas canelas, e um em cada pé, os corpos estavam em posição de crucificação, mas a cruz era a própria parede de madeira, que já apresentava vários pequenos buracos da mesma espessura dos pregos, todos vivos e quentes, foram pregados enquanto desmaiados, um trabalho minucioso e habilidoso feito por um profissional sádico, habilidoso e louco. O primeiro a despertar daquele estranho sono, e se encontrar em uma desesperadora dor física foi Brenda, que deu um grito quando percebeu a dor que sentia nos locais perfurados, por onde escorria certa quantidade de sangue, pequena por causa dos pregos bloqueando as perfurações feitas pelos mesmos. A menina viu, com lágrimas nos olhos, a perturbadora e inacreditável imagem de um garoto vestido de terno, usando uma máscara branca de comédia, o mesmo tipo usado pelos antigos gregos para representarem cenas de felicidade, risos e comédia, mas essa parecia ser feita da vinil, aquela pessoa, que era do mesmo tamanho da irmã mais velha, usava também uma calça social preta, era como uma criaturinha vinda direto do Inferno, uma antítese macabra de refinação e horror, não dava para ver seus olhos, e nem mesmo para saber se eram os pregos ou a sua presença que tornavam o momento tão assustador. Brenda sentia seu corpo tremer, e não conseguia falar nada, apenas gritar, gritou diversas vezes, mas não eram palavras que saíam, eram sons animalescos devido à toda a dor que sentia, além da sensação de ter seu corpo perfurado, ainda tinha o desprazer de encarar o mascarado, que a olhava fixamente com aquele sorriso cínico e artificial. E ela também o olhava fixamente, como se um fio conectasse seus olhos em uma linha definitivamente reta, tanto que a pobre menina nem percebeu que sua irmã e seu amigo estavam do seu lado, o odor vindo dos vasos do local também era infernal, mas naquele momento, era o menor dos incômodos.

- Senhorita, desculpe pela falta de educação, mas devo dizer-lhe que estás agora na minha casa, e que quero que se sintam à vontade, por isso tomei a liberdade de prendê-los, assim se sentirão confortavelmente posicionados para os eventos que aqui ocorrerão. – O mascarado tinha uma voz tranqüila, grave e fria, definitivamente não dava nem para imaginar que idade teria.

Brenda não respondeu, apenas continuou gritando, chorando, soltando suas lágrimas em pânico, era duro para uma criança de 10 anos ser crucificada em um banheiro abandonado cheio de bosta, foi nesse momento que ela virou seu olhar para a direita, e viu sua irmã, pendurada do mesmo modo que ela, ver a amada mana naquela situação foi pior do que toda a dor que já havia tido pelas perfurações, um vazio universal tomou conta de seu coração, junto com o mais profundo desespero, que fez com que a saída de lágrimas acelerasse tão rápido quanto uma bala de Uzi.

- É, seus amigos também foram pegos, e bem, a diversão só irá começar quando eles acordarem. – Não dava para ver sua expressão devido à máscara, colocava a mão no bolso para pegar alguma coisa, era um rolo bem grosso de duréx, a garota continuava gritando, ele se aproximou em poucos passos apressados, segurou firmemente a mandíbula da vítima, e colou com a fita, amarrada, ela não podia tirar, e apenas com a boca, não conseguia fazer nada, agora, além de toda a dor e medo que sentia, teria seus silenciosos gritos abafados. Ele fez o mesmo com os outros dois, com que teve uma facilidade bem maior, devido ao fato de estarem inconscientes, porém, Paulo acordou no momento que teve a boca lacrada, tentou um grito ao ver a bizarra máscara feliz na sua frente e ao sentir a lancinante dor uma crucificação, mas não deu em nada, porque simplesmente não havia como soltar som algum, o desespero era como uma enchente naquele momento, inundando seu corpo, seus vasos sanguíneos, e o mais profundo de sua alma.

- Agora só falta um. – O maníaco foi até Betina, ainda adormecida, e lhe deu dois tapas no rosto, sem nenhuma reação, ele ainda insistiu em sacudir sua cabeça diversas vezes, até que pôde se perceber algum sinal de vida quando ela lentamente abriu os olhos, aparentemente exausta, e como os outros, tentou dar um grito com as dores e a visão da máscara de seu sorridente torturador, e não conseguiu. O odor desagradável que não era de dejetos humanos se tornava cada mais perceptível, e pintava com maior medo, aquela quadro doentio feito pelo mascarado, que com um gesto de palmas demonstrou a cruel realidade:

O horror apenas começava.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O Menino Satanista

Varg Vikernes aprova essa postagem.

Essa história foi feita em um dia de inspiração, uma blasfêmia, um absurdo! Satanistas deístas xiitas vão odiar, e cristãos xiitas mais ainda.


Brasília,Brasil 08/09/2001


“Derrotado nos meus primeiros jogos, mas mesmo assim estou fascinado por tão criativo jogo, tenho me interessado por assuntos por muitos assuntos obscuros desde que era bem como, o RPG Goetic apresenta muito bem esse contexto, a guerra entre as legiãos infernais goéticas e os anjos tradicionais das nossas tolas religiões ocidentais. Procurando no Google, percebi o quanto tudo isso é fascinante, se eu pudesse invocar meu próprio demônio e vender minha alma, me sentiria bem melhor, mas talvez isso não fosse o bastante, eu sinto como se eu fosse destinado a algo mais, a muito mais.” O garoto pensava concentradamente enquanto fazia pesquisa sobre pactos sobrenaturais no famoso site de buscas.
“"Óh Tudo o que é luxurioso e vil, Óh almas zombeteiras, Óh almas perturbadas e doentias, Òh demônios infernais, venham todos a mim, eu abro meu corpo para que habitais nele! Venham a mim e me sirvam, me tragam tudo o que eu desejo, e eu retribuirei com ódio e terror sobre a terra! Eu em plena consciência e sabendo das conseqüências cármicas, invoco todas as hostes infernais ao meu serviço e em troca serei teu escravo até que se esgote todo o cárma que eu contrair, Meu nome era (fulano de tal) agora é Ragnarát, agora é Ragnarát, Agora é Ragnarát. Isso é o melhor que posso achar? Não, não me convence, por que Ragnarat? Satã que me perdoe, mas prefiro ser chamado de Josimara, esse nome me lembra Ragnarok, e eu já passei da fase de jogar aquilo. Eu usaria outro nome para mim mesmo, embora ainda não tenha certeza de qual, mas assim não funcionaria um desses pactos clássicos, mas acredito que o verdadeiro segredo esteja na parte de eu acreditar e realmente estar disposto a pagar o altíssimo preço que o mestre pedirá. Tem uma figura que sempre tem me interessado bastante, talvez se eu mudar esse ritual um pouco, eu possa fazer exatamente como pretendo” Ele digitou rapidamente alguma coisa e imprimiu logo depois, seus pais ausentes não se importavam com o fato dele estar imprimindo invocações de demônios no computador da família, só não queriam ser incomodados.
“Pronto, agora basta eu ir a algum lugar livre de presenças incômodas, aqui diz que beber e fumar deve ser o bastante, mas eu sou um verdadeiro ser demoníaco, maconha talvez seja o bastante, ainda bem que tenho uns 10 baseados escondidos na minha gaveta, nada como ter dinheiro livre para ser gasto, melhor ainda é ter um conhecido dono de bar que te vende Pedra 90 sem frescura de maioridade.” Ele guardou o papel dentro da cueca, pegou seus baseados escondidos na gaveta em que ninguém nunca mexia e colocou tudo na mochila que deixava em cima da cama, colocou nas costas e saiu do quarto, sem nem mesmo desligar o computador, desceu, saiu sem dar satisfações a ninguém e foi para o bar onde costumava ir, às vezes. Havia comprado uma corrente em forma de lobo no dia anterior, estava no bolso, na verdade, possuía uma placa com um lobo esculpido.
- Véi, quero 4 garrafas de Pedra 90? – O menino deixou 10 reais na recepção, onde o velho vendedor esperava pelos seus clientes.
- Tá querendo morrer hoje, menino? – O homem riu, deixou as 4 garrafas da forte cachaça sobre o balcão, junto com o troco.
- É, quero sim. – Ele sorriu e pegou as garrafas, colocando-as dentro de sua mochila, saiu sem falar mais nada, agora só faltava achar um lugar apropriado. Procurou e encontrou um lugar perfeito para o que iria fazer, um Shopping, o Pátio Brasil.
“Genial, esperarei que eles fechem tudo para ficar sozinho aqui, então quando estiver só, farei tudo que preciso e talvez ainda use os objetos das lojas para me auxiliar.” Pensava animado, se escondeu nas escadas de emergência, lá ele ficou enrolando até que ouviu os passos de um funcionário, ele se escondeu como pôde, já era hora de fechar o mega estabelecimento, e foi exatamente o que foi feito alguns minutos depois, todas as luzes foram apagadas e ele acabou sozinho, dentro do Shopping, sem ninguém para atrapalhá-lo.
- Todo meu! Esse lixo é todo meu! – Começou a gritar feliz, era o tipo de maluquice que sempre sonhou em fazer, tirou suas garrafas de cachaça da mochila e virou uma de uma só vez, provando que era um verdadeiro pé de cana e que seu fígado eram de ferro. Ficou bem tonto com a primeira garrafa, mas ainda tinha que beber muito, o difícil seria conseguir ler o que havia imprimido, por isso que fez com letras bem grandes e legíveis.
“Acho que mais 2 garrafas e 2 baseados serão o bastante. – Bebeu outra garrafa logo depois, e outra, com mais dificuldade, depois da segunda, bebia muito rápido, mas a essa altura já estava bastante bêbado, tentou subir as escadas para chegar no centro do Shopping, teve que subir rastejando, pois estava tão bêbado que não conseguia andar direito.
“Agora só mais dois baseados.” Era impressionante que ainda conseguisse pensar, quando já estava na área comercial do estabelecimento, longe das escadas de emergência, difíceis de se subir sob o efeito de álcool, mas então pegou sua maconha e acendeu com um isqueiro que sempre levava no bolso, fumou com bastante prazer, logo já estava tendo alucinações, via lobos correndo em volta do seu corpo, eles uivavam alto e chamavam por seu verdadeiro nome, eles também pronunciaram outro nome.
Se eu fosse escolher um nome, seria algo baseado no meu personagem favorito dos jogos de monstros, os lobisomens, minha paixão poderia representar muito bem, sem falar que como um bom estudante das artes ocultas, o lobo sempre é um excelente símbolo, um predador nato e independente. Tá aí, eu gostaria de me chamar lobo, nunca gostei do nome tosco que meus pais me deram, e vendo que eles chamam por mim
“Se eu fosse escolher um nome, seria algo baseado no meu personagem favorito dos jogos de monstros, os lobisomens, minha paixão, eles poderiam representar muito bem sem falar que como um bom estudante das artes ocultas, o lobo sempre é um excelente símbolo, um predador nato e independente. Tá aí, eu gostaria de me chamar lobo, nunca gostei do nome tosco que meus pais me deram, esses lobos em volta de mim não podem ser mera coincidência, já está na hora de invocar o mestre.” Pensava como se estivesse sóbrio, colocou a mão dentro das roupas íntimas, tirou o papel que havia imprimido, havia a sua própria invocação escrita com letras grandes e legíveis, se ergueu com esforço, e conseguiu, podia ser um garoto bastante irresponsável, mas era forte, e suas irresponsabilidades haviam moldado resistência física e mental nele através de duras experiências das quais nunca se arrependeria. – Pegou a corrente no bolso e colocou no pescoço, com dificuldade.
- Óh não nascido, de tudo o que é luxurioso e vil, oh almas perturbadas e doentias, oh demônios de todas as legiões infernais, venham todos a mim, eu abro meu corpo para que habitais nele! Venham a mim e me sirvam, me tragam tudo o que eu desejo, e eu retribuirei com ódio e terror sobre a terra! Eu em plena consciência e sabendo das conseqüências que se abaterão sobre mim, invoco todas as hostes infernais ao meu serviço e em troca serei tua ferramenta até que meu corpo apodreça sobre meu próprio pecado e perdição. De tudo que há de imundo e profano, eu deixaria que todo o mal habite em mim e me transforme em um novo ser, meu nome era. – Tossiu na hora de falar seu nome, estava segurando, e soltou no momento indesejável, já que chegava a odiar pronunciar seu nome, lia a folha atentamente, com dificuldade por causa do álcool, ele estava tão doidão que as letras dançavam diante de seus olhos e saíam da folha, como seres voadores vindos diretamente do Inferno, algumas partes ele nem conseguia, mas conseguia se lembrar das partes muito embaçadas ou "agitadas". – e agora meu nome é Lobo, agora sou um lobo, predador de homens, um demônio sob a pele de humano, um verdadeiro lobo infernal, abdicando de toda a minha paz para ir no caminho imundo do prazer mundano, meu mestre. – Em nenhum momento ele pronunciou o nome da entidade, mas sua mente se concentrava bem na criatura que apareceria diante de seus olhos, continuava vendo e ouvindo os lobos correndo à sua volta, seu coração estava disparado, a emoção era muito forte, segurava o colar de lobo, a partir desse momento, aquele colar teria um significado especial, e sempre o usaria.
- Eu estou contigo, filhote de lobo. – Uma criatura sem rosto falou para ele, podia ser um mero delírio, ou não, o fato é que o garoto o via ainda melhor do que via o chão em que pisava, e aquela voz poderosa o fazia sentir um certo temor.
- Meu senhor, habite em mim. – Ele se ajoelhou, implorando à criatura.
- Entrarei em seu corpo e seremos como um só, filhote de lobo, escreva tudo que eu pronunciar para você nos próximos momentos a partir do momento em que eu disser que deve. – O ser foi para cima dele, que sentiu uma sensação impossível de se descrever, como se ele morresse, fosse engolido pela escuridão e renascesse, os lobos continuavam rodando.
- Meu senhor. – Tirou uma caneta do bolso da calça, felizmente sempre levava, já que era sempre útil ter algo para escrever no caso de necessidade, como naquele momento.
- Ele está no meu corpo, aquela entidade superior cuja face não pode ser vista, sou agora o verdadeiro terror encarnado, livre do medo e da culpa, as mais fracas emoções humanas, ele me guiará para que obtenhamos tudo que nós desejamos, e uma vez morto como humano, estarei vivo como um verdadeiro lobo, e o mestre continuará mesmo que meu corpo físico morra, no corpo de outro que me sucederá caso eu falhe em minha difícil e prazerosa missão, e esse colar que uso representa seu poder, essa corrente representa ele. Assinado: Lobo. – A voz vinha da própria cabeça dele, como algum tipo de dupla personalidade.
Tudo foi escrito pelo garoto, a partir daquele momento, ele teria duas pessoas dentro da sua cabeça, ou pelos acreditava que teria, foi uma confusão quando o encontraram desmaiado no Shopping totalmente bêbado e drogado, felizmente ele jogou as garrafas que viria a consumir após o ritual, no lixo, nem chegando a serem percebidos pelos distraídos funcionários do local, que apenas o expulsaram e deram uma tremenda bronca em seus pais, que o deixaram de castigo.


Brasília,Brasil 10/03/2001


- Eu te apresentei esse jogo há poucos meses, agora você vence praticamente todos aqui na Doberman RPG! – O mesmo menino de 14 anos falava para o de 11, que havia vencido todos na pequena loja, além de ter aprendido os jogos que foram ensinados pelo companheiro, o menino de óculos havia aprendido muitos outros e se tornado um mestre em quase todos os tipos de RPG.
-Walter, eu repeti de ano na minha segunda série e não faço a mínima idéia do que seja divisão, mas quando jogo RPG eu me sinto verdadeiramente vivo, na verdade, se eu pudesse eu faria com que esse jogo se tornasse real.
- Não exagera, não tem como fazer isso.
- Não, eu farei. Daqui em diante quero que todos me chamem de Lobo, aquela criança que era péssima em todas as matérias e ficava arrumando briga não existe mais, agora só existe um RPGista fervoroso que irá liderará o maior clã que já existiu.
- Com seu talento, não duvido, toda sua burrice na escola é compensada aqui.
- Então vamos, nosso grupo será conhecido como o Círculo das Depravações.
- Que merda de nome é essa?
- O nome que combina com o criador. Mas devo admitir, é inspirado na gangue de um grande vagabundo de nossa cidade, Zé Lobo, a gangue dele se chamava Círculo dos Depravados, e bem, eles tão todos mortos, li isso no G1, muito foda. Ele é o Zé Lobo, e eu sou Lobo, porque não sou nenhum Zé, haha.
- Realmente, combina muito.

domingo, 11 de abril de 2010

A Assustadora Alma das Ruas

Uma triste história feita na aula de inglês da escola:

Brasília, Brasil 13/01/2002

Estavam em um terreno baldio, tarde da noite, não havia ninguém por perto, só aqueles três garotos vestidos com roupas largas, pareciam jogar algum jogo de tabuleiro.

- Venci de novo. – O Garoto de óculos escuro venceu a partida com uma jogada qualquer, era um jogo de três, mas de turnos.

- Chefe, você sempre vence. – O menor reclamou, apesar de estar bem humorado.

- Claro. Espero que tragam nosso brinquedo logo. – Ele puxou um cigarro do bolso, acendeu com um isqueiro e fumou.

Vieram mais quatro garotos, segurando uma garota de grande beleza que esperneava e gritava, eles deixaram a vítima na frente do vencedor da partida, ela gritava com desespero por socorro, chorando, mas ninguém ouvia, não tinha ninguém além deles lá.

- Como a conseguiram? – O líder soltava fumaça do cigarro pela boca, e olhava a garota.

- O que vocês querem comigo? Por favor, me deixem ir. – A menina chorava, abaixou o tom, vendo que estava de frente para o chefe da gangue.

- Tava andando em uma rua vazia aqui perto, a agarramos, batemos nela, tampamos a boquinha e trouxemos, ela esperneou muito, mas foi só apontar uma faca pro pescoço que ela parou de tentar fugir, escondemos a faca quando estávamos chegando aqui, deixamos ela gritar, e agora ela está aqui. – O maior de todos eles, um dos que haviam levado a garota que falou, tinha um bom humor admirável.

- Por favor, o que vocês querem? – Ela insistia, ainda chorando.

- Vocês a deixaram gritar só para sentir o prazer de vê-la cheia de medo? – O líder parecia sério, falava com frieza.

- Sim, exato. – O mesmo marginal grande falou.

- Ótimo, tragam ela pra mais perto.

A visão das estrelas e da lua cheia era algo indiscritível naquela noite, gritos femininos cheios de pânico e desespero atravessavam a noite.

Brasília, Brasil 14/01/2002

Os mendigos estavam conversando naquele beco, bebiam garrafas de Pedra 90 enquanto isso.

- Pedra 90 é a melhor coisa que já criaram. – O mais cabeludo comentava.

- Realmente, uma garrafa e a gente já fica todo feliz, não sei porque tem gente que usa drogas quando pode beber Pedra 90. – O outro falava enquanto a mesma garota que havia sido raptada na outra noite passava por eles, tinha a expressão triste e quase chorava, só com trapos, toda machucada, olho roxo, cabelo bagunçado, arranhões, entre outras marcas.

- Ei, você é nova aqui? – O cabeludo perguntou à garota que passava.

- Não sou mendiga, fui estuprada. – Ela segurava para não chorar.

- Estuprada? Meus Deus! Que fez isso? – O menos cabeludo fez uma cara de susto.

- Uma gangue de marginais .

Já era noite, a mesma gangue estava no mesmo local onde haviam estuprado a garota na noite anterior, tocavam a música You Don’t Know cantada por 50 Cent, Eminem, Cashis e Lloyd Banks enquanto bebiam Smirnoff e dançavam, havia uma pessoa desmaiada no chão, uma garota, dançavam e esperam que acordasse.

A música tocava, o líder da gangue pensava em sua infância, sentado no chão:

Imagens de uma criança pedindo esmolas na rua para um adulto, ele estendia sua mão, mas o homem dava um tapa em suas mãos e o repreendia com gestos agressivos e de expulsão, fazendo ele sair correndo. Depois se lembrava da primeira vez que roubou, se viu correndo de um vendedor, levando um salgadinho, conseguiu escapar, deixando o vendedor furioso, fazendo gestos agressivos. Viu-se apanhando de três rapazes em uma rua deserta, dois o seguravam e o terceiro o batia. Viu-se ganhando uma arma de seu protetor, um adulto com pinta de malandro. Viu quando encheu seu protetor de tiros no peito, com todo os outros três da gangue olhando, os três se ajoelharam e pediram por piedade, que foi aceita, já que ele gesticulou para que se levantassem, e se levantaram. Viu a imagem de um homem vestido de jaqueta de couro e sua gangue de 3 membros atirando em sua gangue, que na época tinha 4 membros, eles atiraram contra os inimigos, mas seus companheiros morreram antes, e os do outro grupo também, só restaram ele e o líder da outra gangue, que tentou atirar nele, mas não soltou nenhuma bala, pois a arma estava vazia, nesse momento o inimigo fez cara de desespero e saiu correndo para cima dele, ele tentou atirar, e acertou 4 balas nos peito do cara, descarregando a arma. Ele estava de colete, se jogou sobre o garoto e começaram a lutar no chão, dando murros e rolando. Viu-se brigando com outro membro da gangue em cemitério, só para treinar as práticas marciais, se viu apontando a arma para uma menina que chorava e se viu assaltando um rapaz usando sua arma, fazendo com que passasse todo o seu dinheiro.

Voltava à realidade,sentado de frente à garota desmaiada, enquanto os outros ainda dançavam.

- As coisas não estão boas. Essas ruas presenciam cada vez mais horrores. – O mendigo cabeludo falava com desgosto.

- Eu nunca mais vou andar por uma rua vazia. – A menina suspirou.

Era um policial atravessando a rua, viu um grupo de três meninas adolescentes atravessando a rua precipitadamente, sem olhar para os lados, quando chegaram do seu lado, correndo pela calçada.

- Ei meninas, atravessem com mais atenção. – O policial avisou, gritando alto para as garotas que se distanciavam.

Uma outra gangue com 4 meninos atravessava a rua,corria atrás delas, passando pelo policial sem considerar sua presença, e realmente ele não fez nada.

- Ah não, de novo esses bandidinhos. – O mendigo cabeludo ainda estava no beco, conversando com seu amigo e com a garota estuprada, via as três meninas passando correndo por eles e os quatro garotos correndo atrás delas.

- Esperem! – Um dos meninos gritou, o grupo passou pelos mendigos e foi sumindo de vista junto com as garotas em fuga.

- Eu não me conformo com isso, não é só eu. – A menina voltou a chorar.

Brasília, Brasil 15/01/2002

Um velho homem lia jornal em uma mesa de lanchonete.

- Três garotas são encontradas mortas em um beco, suspeitos são presos com a testemunha de mendigos e de um policial, que viu quando os assassinos corriam atrás das jovens.

- José, seu incompetente! Se viu um monte de garotinhas correndo de um monte de moleques, por que não interveio? – Na delegacia, sentada atrás de sua mesa, a delegada brigava com o policial que testemunhou sobre os marginais que atacaram as meninas.

- Eu achei que não fosse algo importante, achava que era uma brincadeira.

- Você causou a morte de três inocentes, é melhor que não repita algo assim, senão farei tudo que puder pra acabar com sua carreira. – Ela falava com fúria.

- Sim senhora.

- Filho, sinto sua falta. – A mulher no cemitério, deixava uma foto sobre o túmulo, era a foto do líder da gangue que havia combatido a gangue do garoto de óculos.

À noite, duas mulheres muito sedutoras andavam em uma rua movimentada, rodavam bolsas, foram abordadas pelo policial.

- Cobram quanto? – Ele olhava interessado.

- 30 reais a hora.

- Pago as duas ao mesmo tempo.

A delegada andava em outra rua movimentada, de frente ao Pátio Brasil, distraída, esbarrou em uma adolescente cheia de marcas.

- Desculpe. – A garota de desculpou, tentando voltar a andar, mas a delegada e a segurou.

- Espere, como ganhou essas marcas em seu braço?

- Eu fui violentada por uma gangue em um terreno abandonado lá pro outro lado.

- Violentada? Eu sou delegada, quero que me leve a esse lugar.

- Acha que possam estar lá ainda?

- Sim, se você foi violentada em um terreno abandonado, certamente sabem o quanto o local é conveniente para o crime, então não é improvável que vão lá frequentemente.

No terreno citado, a gangue do menino de óculos escuro estava de frente para a gangue que havia matado as três meninas.

- Bem, vocês devem conhecer nossa gangue, O Círculo dos Depravados, não é? – O adolescente de óculos perguntava, sentado com os joelhos nas mãos, com os outros de pé.

- Você é o famoso Zé Lobo, eu sou o Urtiga, chefe do bonde do Urtigão.

- Nome ridículo, espero que possam sair logo do nosso caminho. – Lobo lambia a ponta dos dedos, sujas de sangue, então estalou os dedos e seus homens tiraram as armas do bolso, a gangue inimiga fez o mesmo. O céu estava avermelhado naquela noite, sem estralas, ouviu-se o barulho de muitos tiros e gemidos de dor naquela hora.

- Meu Deus! – A delegada chegou no lugar onde havia ocorrido a briga, encontrou todos mortos com balas no corpo, exceto Lobo, que estava sentado no chão de olhos fechados.

- Bem feito, desgraçados. – A menina gritou com ódio e satisfação, foi andando com a delegada até os corpos, foi quando viram o líder abrir os olhos e olhar com ódio para elas, a delegada pelo sua arma e apontou pra ele.

- Parado!

- O que vieram fazer aqui? – Ele estava sangrando na barriga, falando com dificuldade.

- Prender vocês.

- Não me interessa ser preso, prefiro morrer, todos esses anos nas ruas me ensinaram muitas coisas. As ruas são frias, as ruas são duras, as pessoas que estão nas ruas são duras, as pessoas que estão nas ruas são frias, na rua ou você mata ou você vive, é a lei da selva. A alma das ruas é realmente assustadora, em todos esses anos, matei, roubei e estuprei muitas pessoas, mas não me arrependo de nada, eu certamente irei pro Inferno, mas vocês vão juntos. – Ele tirou sua arma do bolso e a apontou para a delegada. Ouviu-se um tio, o céu estava vermelho.

- Acabou que eles se mataram. – A garota passava com a delegada por uma rua de movimento médio.

- Aquele marginal idiota tentou atirar em mim, ainda bem que sou rápida. Já devem ter chegado na cena do crime, ainda bem que hoje estou de folga.

- Se ta de folga, por que foi lá?

- Caso pessoal, minha filha foi estuprada e morta por uma gangue há dois anos .

- Amigo, viver nas ruas é um saco. – O mendigo cabeludo estava conversando com seu amigo no meio da rua, na frente de um bar, bebendo Pedra 90.

-Realmente, mas é nas ruas que vivemos, essas ruas já viram tanta coisa, que podemos dizer que ela é nossa mãe, e que nossa mãe é a mais sabia de todas.

- Verdade, hehe. – Ele deu mais um gole em sua bebida, bem fundo.

Fim


sexta-feira, 9 de abril de 2010

Como um tímido menino se tornou o Lord Candelaria


Como um tímido menino se tornou o Lord Candelaria


Era um garoto comum, do tipo que não assusta nenhuma pessoa, uma face inocente, pequenos olhos ingênuos e de certo modo vazios, sua boca era pequena e arredondada, lábios claros e finos, assim como a pele, usava óculos negros que realçam o tamanho de seus pequenos olhos, as sobrancelhas estavam feitas, mas dava para perceber que era o tipo de pessoa que apresenta muitos pelos. Mas sua fisionomia não era nada agradável, podia-se perceber o quão profundos seus olhos estavam, cobertos por uma coloração enegrecida em volta, mas o impressionante era o vazio absoluto em suas pupilas, como se ele não possuísse uma alma, sentimento, fosse apenas um morto-vivo. apenas lendo um livro no banco da praça, as pessoas que passavam, olhavam com espanto, talvez por causa da sua fisionomia parecia com um zumbi em plena 1 da tarde, fosse pelo livro que lia, uma cópia em inglês do livro “The Vampire Bible”, ou em comum português, A Bíblia Vampírica.

- Menino, por que tá lendo isso? Jesus te ama, pára com isso. – Um mendigo o cutucou sem nenhuma cerimônia, era barbudo, moreno e tinha um cabelo bonito e grande, apenas muito sujo, com algumas caspas, terra, pó, etc.

- Jesus está morto. – Ele respondeu como se não tivesse ouvido nada, era visível que não se importava, ainda era vazio. Fazia 7 dias que ele não dormia, e isso o tinha enlouquecido. Tudo começou quando aquele adolescente, que costumava ter uma vida relativamente ruim, decidiu que tudo aquilo ia mudar, todos os tempos de “molenga” seriam queimados para sempre.

“Eu não poderei me tornar forte se não sofrer”

Costumava ser um menino tímido e depressivo, um sintoma levava ao outro, fica tímido por ser deprimido, e deprimido por causa das coisas que deixava de ter por causa da timidez. Mas decidido a mudar, criou um estranho método para a perda total de sua timidez:

“Não vou dormir, vou ficar tão chapado de sono que vou perder a timidez, é melhor que álcool, pois vai funcionar até eu recuperar o sono perdido.”

E ele aplicou o método, ficou 7 dias sem dormir, agora estava no sétimo, e finalmente ousou sair de casa para testar se funcionaria, pelo jeito sim, pois falou com aquele mendigo como se estivesse pensando em voz alta, discutir com um estranho, pra um tímido, definitivamente era uma grande evolução.

- Cruz credo, fala isso não menino, tá maluco? Jesus morreu por você, seja agradecido.

- Senhor, Jesus está morto, entendeu? Agora tchau, não falo com pessoas que insistem na mentira. – Respondeu com indiferença, fechou seu livro e saiu andando, o mendigo ainda observou por um tempo, como se pretendesse falar algo, mas não o seguiu nem disse mais nada.

“Sim, sim, eu sou isso? Oras? E agora? Eu já tenho coragem para fazer qualquer coisa, qualquer coisa que eu quiser, sem nenhuma limitação, nenhuma culpa, nenhum medo. O que vou fazer primeiro?” - Pensava enquanto andava pela rua, tonto, cansado, sonolento, e hiperativo, em uma estranha antítese de sensações, pois mal conseguia se manter bem de pé com todo o sono, mas ao mesmo tempo, estava muito animado por não estar tímido, de fato realmente dopado pelo sono. Parecia um bêbado, um louco, fazia caretas, estranhas caretas para todos que via, qualquer diria que estava sobre o efeito da erva da maconha, da cachaça, ou qualquer outra coisa que o deixasse fora de seu juízo normal.

O dia foi o mais louco da sua vida, primeiro foi espancado até ter que sair correndo, por dar em cima da namorada de um fisiculturista. Depois passou na casa de um de seus poucos amigos, Rafael, um headbanger de cabelo curto e sempre vestido com uma camiseta da banda Rage Against the Machine, do qual era um grande fã, e o chamou para sair:

- Cara, vamos andar aí, hoje vai ser louco, vai ser louco e muito cabuloso, podemos bater em alguém, podemos agarrar garotas, podemos até matar alguém! – Sua voz era animada, mas sua expressão facial era totalmente inexpressiva.

- Cara, é você mesmo? Virou gente? Cadê aquele moleque tímido e molenga que eu conhecia e zoava? – Ficou surpreso com o modo como o menino falava, ele não costumava ser daquele jeito.

- É claro que não sou ele, eu sou uma nova pessoa, meu amigo. Agora eu sou Lord Candelária! Eu sou uma fera faminta e sem limites, nada pode me deter agora. Nada! Amigo, vamos, nos divertiremos muito.

- Lord Candelária? De onde você tirou isso?

- Chacina da Candelária foi o nome dado ao dramático massacre de crianças na frente de uma igreja na cidade de Candelária. Agora, por que eu escolhi esse nome? Sou uma homenagem a todos que morrem, sou a personificação da vida espiritual, da vida pós-morte, do sobrenatural.

- Você tá assistindo muito sobrenatural.

- Seu imbecil, eu não preciso assistir isso, eu sou sobrenatural. Entendeu? Você vai vir comigo ou não? Se não, que seja, eu posso me divertir sozinho. – Deu as costas para o amigo e começou a andar.

- Eu não imagino você se divertindo. Mas eu quero ir com você, vai ser engraçado de ver. – Rafael fechou a porta de casa, trancou com chave e foi atrás do louco, que andava rebolando, dançando, fazendo coisas estranhas com as mãos e com a boca, logo falou bem baixo, com o fã de Rage Against the Machine do lado.

- Ah, aliás, o que você acha da gente matar alguém?

- Tá falando sério? Tá maluco?

- Ué, imagina, seria muito divertido, a gente pode matar um daqueles modinhas.

- Qual deles?

- Qualquer um. Ora, já sei, e matássemos pessoas quem não satisfazem nossas expectativas? Pessoas estúpidas, pessoas poser, pessoas frescas.

- Tá, vamos tentar. Mas aonde a gente enfia o corpo?

- Eu arranjo um jeito.

Caminharam até uma saída de esgoto, e ficaram ali sentados, com cuidado para não tocar no líquido de imundície.

- Então Rafael, o senhor sabe como deveremos matar nossa primeira vítima?

- Não, como? Peraí? Essa história de matar é sério mesmo? – Dava para ver o quanto estava surpreso, os olho arregalaram um pouco, mas logo voltaram ao normal, talvez se acostumando à idéia.

- Veja. Todo serial killer tem uma arma assinatura, o meu nome como um matador é Lord Candelária, mas claro que ninguém vai ficar sabendo que Lord Candelária, que sou eu, que mata, mas saberão que é um único responsável pelos diversos crimes que serão cometidos. Minha arma assinatura é essa. – Ele tirou um pente de plástico transparente do bolso, com uma ponta afiada, parecida com a de um espinho, segurando pelos dentes, ele passou a longa ponta pontuda na língua, e sorriu.

- Você vai matar com um pente, seu imbecil?

- Cala boca. – Lord Candelária rapidamente penetrou o cabo pontudo do pente na perna do menino, rasgou e atravessou a carne como se fosse realmente uma faca, ele deu um grito e um soco no meio do rosto dele, que deu dois passos pra trás, recuando junto com o objeto sujo de sangue na ponta, apenas uma pequena parte entrara na carne, mas a dor causada havia sido muita, felizmente, o adolescente não era do tipo fraco contra dor.

- Seu idiota, que droga é essa? – Estava furioso, se assustou aquilo, e tava doendo muito, mas logo começou a rir. – Caramba, isso funciona mesmo, você é louco, gosto disso, idiota, isso tá doendo mesmo, mas se os idiotas que merecem morrer sentirem isso várias vezes, será foda. – Ele era o tipo de jovem que se diverte com a própria desgraça.

- Foda? Será fantástico, cavalheiro. – O soco tinha doído bastante, passou a mão no rosto, onde levou a pancada, e estava um pouco inchado, Rafael era bastante forte. – Enfim, vamos furar eles todos com esse pente, que eu denominarei de White Pin. Eu não te acertei com toda a força, obviamente, eu pus força, mas eu poderia pôr mais, aí iria doer bem mais e talvez até te causar danos sérios, o White Pin no meio da testa seria mortal, no coração também, nos testículos seria desumano, mas funcionaria também, essa é minha arma, posso levar até pra escola, não poderão dizer que é arma branca, é um pente.

- Você é louco, mas eu gosto disso, eu também sou.

- Claro, para ser meu amigo, tem que ser louco. Rafael, todos esses anos eu passei dias inteiros com vícios como filmes e livros violentos, músicas violentas, brincadeiras violentas, e uma vida de violência, brincando no parquinho de lutinha, sempre arrumando briga na escola, entrando nas Rodas punks, mesmo sendo fraco, por não fazer musculação ou esportes, por sempre ter tido preguiça de atividades físicas, exceto briga, claro, isso eu sempre gostei. Violência, eu sou louco por violência, e você sabe disso, mas minha timidez me impedia de deixar que eu ultrapasse rodas punks de amigos ou grupinhos em que eu era o mais zoado, principalmente com você, meu grande amigo que salvou minha vida social, me colocando no grupinho lá da escola, aquele doce grupo misto de headbanger, punks, góticos e otakus, claro, vocês me zoavam, eu zoava vocês, e claro, no final eu que acabava debaixo das piadas por ser o menor. Mas isso é normal, enfim, agora eu não estarei preso apenas a nosso grupinho, agora, meu amigo, eu sou definitivamente Lord Candelária, e nada me prenderá, nenhum medo ou inibição tocará em mim, e poderei fazer algo que sempre quis, que é matar. – Contava com tranqüilidade, dessa vez até parecia um refinado cavalheiro.

- Bora então. – Ele não sabia o que estava dizendo.

- Só falta eu me arrumar para a ocasião.

Viriam a comprar algumas coisas, incluindo maquiagem, uma pochete e um halteres de 6 quilos de ferro.

Era 11 da noite, um grupo com de 3 meninos se divertia sentado em uma rua totalmente vazia, bebiam e fumavam, tinham por volta de 13 e 20 anos, um deles estava com um celular no colo, tocando uma barulhenta música de Funk Carioca. Já havia 5 garrafas de cachaça Seleta, e algumas cinzas no chão, a fumaça era excessiva, os rapazes estavam distraídos, bêbados e de olhos vermelhos. Uma figura sombria surgiu repentinamente no final da rua, era pequena, mas de longe dava para ver as manchas negras em volta dos olhos, feitas com sombra, e também perceptível uma palidez não natural na sua pele, usava uma longa jaqueta de zíper azul bordada e aberta, e por baixo uma camiseta preta sem figuras, luvas de couro negro, além de tudo, levava no pescoço um pingente com a figura de um lobo e uma pochete na cintura, logo, esticou seus braços, e correndo se aproximou rapidamente dos três, que se levantaram e gritaram palavras de xingamento e agressividade.

- Prazer, sou o Lord Candelária, vim aqui com uma única intenção.

- Qual? – O mais velho perguntou, empurrando o baixinho, “cheio de marra”.

- Não me empurra, seu tolo sem classe. – Lord Candelária puxou seu pente do bolso da calça pelos dentes e rapidamente perfurou o coração do rapaz, que deu um grito bem alto de dor e caiu no chão morto. Os outros correram para cima dele, com expressões de raiva e loucura, não eram do tipo chorão ou assustado, eram perigosos, mas havia algo a mais em Candelária, como se estivesse possuído por uma fera louca, ele lutou acertou o mais novo, e mais fraco com um golpe certeiro no pescoço, enquanto o outro lhe dava um soco violento, que quebrou-lhe o nariz, mas esse mesmo menino levou um soco no meio das pernas, e foi atingido na coxa pelo White Pin, o assassino deu alguns passos pra trás, enquanto o outro tentava ir atrás, dificultado pela perfuração, mas para todos, a embriaguez tinha sido um fator de condenação.

- Enfim, eu venci todos eles sozinho. – Bateu palmas . – Rafael. – Chamou bem alto pelo amigo, que veio correndo de algum lugar de onde estava escondido no fim da rua.

- Caralho, o que você fez? – O manco foi pra cima do recém-nascido serial killer, e lhe deu dois socos, um foi defendido pelo White Pin, que perfurou seus dedos causando uma dor tremenda, e o outro acertou Candelária na barriga, que caiu na hora, com danos de verdade. Rafael chegou rápido, enquanto o rapaz chutava seu amigo de todos os modos, mas tinha todos os chutes defendidos pelos rápidos braços e mãos do serial killer. O punk deu um chute no peito do maconheiro, que caiu no chão, já estava mal. O menino maquiado se levantou, ignorando a dor que sentia nos seus braços por causa dos chutes que defendeu, e deu uma pisada no peito da vítima, que, sem fôlego, não conseguiu gritar, sufocado, agoniado e incapaz de reagir.

- Obrigado Rafael, teria sido difícil sem você. Agora podemos nos divertir com esse idiota. – Sorriu para o amigo e iniciou uma sequência de golpes com o White Pin nas pernas do bêbado.

- Caralho, isso deve doer, da próxima vez eu quero furar também. – Assistia com um sorriso sádico enquanto o amigo perfurava as pernas do pobre infeliz, que tentava se defender com as mãos e braços, mas também era atravessado nessas partes, e logo não conseguia mais, já conseguia gritar novamente, e gritava alto por socorro, até que foi calado por uma grotesca pentada na língua, que dilacerou-a em pedaços, e ele não podia gritar mais, não para ser ouvido a ajudado por alguém, não dava, só podia berrar silenciosamente enquanto a brutal dor tomava conta de seu corpo. Sentia-se abandonado pela vida, sempre teve certeza de que não era nem o álcool e nem as drogas que o matariam, agora tinha certeza, principalmente quanto teve a sensação de ter o olho esquerdo perfurado, não deixou que o direito tivesse o mesmo destino, e foi ainda mais atacado nas mãos que protegiam o resto da sua visão. Lord Candelária ria muito enquanto cometia o crime, totalmente louco, embriagado pelo prazer exótico de matar. O sangue espirrava pelo chão, os assustadores e inaudíveis gritos silenciosos e aquele foi seu primeiro crime, com luvas, para garantir que não deixaria digitais, os golpes que se seguiram foram na barriga, e não demorou muito para que a vítima estivesse morta, imersa em um mar de sangue e parecida com um esponja cheira de furos, mesmo assim, Lord continuou penetrando com o pente, e fazendo mais e mais orifícios, e aquela brincadeirinha insana se estenderia por longos minutos, que Rafael assistia com a mesma animação do amigo.