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sexta-feira, 9 de abril de 2010

Como um tímido menino se tornou o Lord Candelaria


Como um tímido menino se tornou o Lord Candelaria


Era um garoto comum, do tipo que não assusta nenhuma pessoa, uma face inocente, pequenos olhos ingênuos e de certo modo vazios, sua boca era pequena e arredondada, lábios claros e finos, assim como a pele, usava óculos negros que realçam o tamanho de seus pequenos olhos, as sobrancelhas estavam feitas, mas dava para perceber que era o tipo de pessoa que apresenta muitos pelos. Mas sua fisionomia não era nada agradável, podia-se perceber o quão profundos seus olhos estavam, cobertos por uma coloração enegrecida em volta, mas o impressionante era o vazio absoluto em suas pupilas, como se ele não possuísse uma alma, sentimento, fosse apenas um morto-vivo. apenas lendo um livro no banco da praça, as pessoas que passavam, olhavam com espanto, talvez por causa da sua fisionomia parecia com um zumbi em plena 1 da tarde, fosse pelo livro que lia, uma cópia em inglês do livro “The Vampire Bible”, ou em comum português, A Bíblia Vampírica.

- Menino, por que tá lendo isso? Jesus te ama, pára com isso. – Um mendigo o cutucou sem nenhuma cerimônia, era barbudo, moreno e tinha um cabelo bonito e grande, apenas muito sujo, com algumas caspas, terra, pó, etc.

- Jesus está morto. – Ele respondeu como se não tivesse ouvido nada, era visível que não se importava, ainda era vazio. Fazia 7 dias que ele não dormia, e isso o tinha enlouquecido. Tudo começou quando aquele adolescente, que costumava ter uma vida relativamente ruim, decidiu que tudo aquilo ia mudar, todos os tempos de “molenga” seriam queimados para sempre.

“Eu não poderei me tornar forte se não sofrer”

Costumava ser um menino tímido e depressivo, um sintoma levava ao outro, fica tímido por ser deprimido, e deprimido por causa das coisas que deixava de ter por causa da timidez. Mas decidido a mudar, criou um estranho método para a perda total de sua timidez:

“Não vou dormir, vou ficar tão chapado de sono que vou perder a timidez, é melhor que álcool, pois vai funcionar até eu recuperar o sono perdido.”

E ele aplicou o método, ficou 7 dias sem dormir, agora estava no sétimo, e finalmente ousou sair de casa para testar se funcionaria, pelo jeito sim, pois falou com aquele mendigo como se estivesse pensando em voz alta, discutir com um estranho, pra um tímido, definitivamente era uma grande evolução.

- Cruz credo, fala isso não menino, tá maluco? Jesus morreu por você, seja agradecido.

- Senhor, Jesus está morto, entendeu? Agora tchau, não falo com pessoas que insistem na mentira. – Respondeu com indiferença, fechou seu livro e saiu andando, o mendigo ainda observou por um tempo, como se pretendesse falar algo, mas não o seguiu nem disse mais nada.

“Sim, sim, eu sou isso? Oras? E agora? Eu já tenho coragem para fazer qualquer coisa, qualquer coisa que eu quiser, sem nenhuma limitação, nenhuma culpa, nenhum medo. O que vou fazer primeiro?” - Pensava enquanto andava pela rua, tonto, cansado, sonolento, e hiperativo, em uma estranha antítese de sensações, pois mal conseguia se manter bem de pé com todo o sono, mas ao mesmo tempo, estava muito animado por não estar tímido, de fato realmente dopado pelo sono. Parecia um bêbado, um louco, fazia caretas, estranhas caretas para todos que via, qualquer diria que estava sobre o efeito da erva da maconha, da cachaça, ou qualquer outra coisa que o deixasse fora de seu juízo normal.

O dia foi o mais louco da sua vida, primeiro foi espancado até ter que sair correndo, por dar em cima da namorada de um fisiculturista. Depois passou na casa de um de seus poucos amigos, Rafael, um headbanger de cabelo curto e sempre vestido com uma camiseta da banda Rage Against the Machine, do qual era um grande fã, e o chamou para sair:

- Cara, vamos andar aí, hoje vai ser louco, vai ser louco e muito cabuloso, podemos bater em alguém, podemos agarrar garotas, podemos até matar alguém! – Sua voz era animada, mas sua expressão facial era totalmente inexpressiva.

- Cara, é você mesmo? Virou gente? Cadê aquele moleque tímido e molenga que eu conhecia e zoava? – Ficou surpreso com o modo como o menino falava, ele não costumava ser daquele jeito.

- É claro que não sou ele, eu sou uma nova pessoa, meu amigo. Agora eu sou Lord Candelária! Eu sou uma fera faminta e sem limites, nada pode me deter agora. Nada! Amigo, vamos, nos divertiremos muito.

- Lord Candelária? De onde você tirou isso?

- Chacina da Candelária foi o nome dado ao dramático massacre de crianças na frente de uma igreja na cidade de Candelária. Agora, por que eu escolhi esse nome? Sou uma homenagem a todos que morrem, sou a personificação da vida espiritual, da vida pós-morte, do sobrenatural.

- Você tá assistindo muito sobrenatural.

- Seu imbecil, eu não preciso assistir isso, eu sou sobrenatural. Entendeu? Você vai vir comigo ou não? Se não, que seja, eu posso me divertir sozinho. – Deu as costas para o amigo e começou a andar.

- Eu não imagino você se divertindo. Mas eu quero ir com você, vai ser engraçado de ver. – Rafael fechou a porta de casa, trancou com chave e foi atrás do louco, que andava rebolando, dançando, fazendo coisas estranhas com as mãos e com a boca, logo falou bem baixo, com o fã de Rage Against the Machine do lado.

- Ah, aliás, o que você acha da gente matar alguém?

- Tá falando sério? Tá maluco?

- Ué, imagina, seria muito divertido, a gente pode matar um daqueles modinhas.

- Qual deles?

- Qualquer um. Ora, já sei, e matássemos pessoas quem não satisfazem nossas expectativas? Pessoas estúpidas, pessoas poser, pessoas frescas.

- Tá, vamos tentar. Mas aonde a gente enfia o corpo?

- Eu arranjo um jeito.

Caminharam até uma saída de esgoto, e ficaram ali sentados, com cuidado para não tocar no líquido de imundície.

- Então Rafael, o senhor sabe como deveremos matar nossa primeira vítima?

- Não, como? Peraí? Essa história de matar é sério mesmo? – Dava para ver o quanto estava surpreso, os olho arregalaram um pouco, mas logo voltaram ao normal, talvez se acostumando à idéia.

- Veja. Todo serial killer tem uma arma assinatura, o meu nome como um matador é Lord Candelária, mas claro que ninguém vai ficar sabendo que Lord Candelária, que sou eu, que mata, mas saberão que é um único responsável pelos diversos crimes que serão cometidos. Minha arma assinatura é essa. – Ele tirou um pente de plástico transparente do bolso, com uma ponta afiada, parecida com a de um espinho, segurando pelos dentes, ele passou a longa ponta pontuda na língua, e sorriu.

- Você vai matar com um pente, seu imbecil?

- Cala boca. – Lord Candelária rapidamente penetrou o cabo pontudo do pente na perna do menino, rasgou e atravessou a carne como se fosse realmente uma faca, ele deu um grito e um soco no meio do rosto dele, que deu dois passos pra trás, recuando junto com o objeto sujo de sangue na ponta, apenas uma pequena parte entrara na carne, mas a dor causada havia sido muita, felizmente, o adolescente não era do tipo fraco contra dor.

- Seu idiota, que droga é essa? – Estava furioso, se assustou aquilo, e tava doendo muito, mas logo começou a rir. – Caramba, isso funciona mesmo, você é louco, gosto disso, idiota, isso tá doendo mesmo, mas se os idiotas que merecem morrer sentirem isso várias vezes, será foda. – Ele era o tipo de jovem que se diverte com a própria desgraça.

- Foda? Será fantástico, cavalheiro. – O soco tinha doído bastante, passou a mão no rosto, onde levou a pancada, e estava um pouco inchado, Rafael era bastante forte. – Enfim, vamos furar eles todos com esse pente, que eu denominarei de White Pin. Eu não te acertei com toda a força, obviamente, eu pus força, mas eu poderia pôr mais, aí iria doer bem mais e talvez até te causar danos sérios, o White Pin no meio da testa seria mortal, no coração também, nos testículos seria desumano, mas funcionaria também, essa é minha arma, posso levar até pra escola, não poderão dizer que é arma branca, é um pente.

- Você é louco, mas eu gosto disso, eu também sou.

- Claro, para ser meu amigo, tem que ser louco. Rafael, todos esses anos eu passei dias inteiros com vícios como filmes e livros violentos, músicas violentas, brincadeiras violentas, e uma vida de violência, brincando no parquinho de lutinha, sempre arrumando briga na escola, entrando nas Rodas punks, mesmo sendo fraco, por não fazer musculação ou esportes, por sempre ter tido preguiça de atividades físicas, exceto briga, claro, isso eu sempre gostei. Violência, eu sou louco por violência, e você sabe disso, mas minha timidez me impedia de deixar que eu ultrapasse rodas punks de amigos ou grupinhos em que eu era o mais zoado, principalmente com você, meu grande amigo que salvou minha vida social, me colocando no grupinho lá da escola, aquele doce grupo misto de headbanger, punks, góticos e otakus, claro, vocês me zoavam, eu zoava vocês, e claro, no final eu que acabava debaixo das piadas por ser o menor. Mas isso é normal, enfim, agora eu não estarei preso apenas a nosso grupinho, agora, meu amigo, eu sou definitivamente Lord Candelária, e nada me prenderá, nenhum medo ou inibição tocará em mim, e poderei fazer algo que sempre quis, que é matar. – Contava com tranqüilidade, dessa vez até parecia um refinado cavalheiro.

- Bora então. – Ele não sabia o que estava dizendo.

- Só falta eu me arrumar para a ocasião.

Viriam a comprar algumas coisas, incluindo maquiagem, uma pochete e um halteres de 6 quilos de ferro.

Era 11 da noite, um grupo com de 3 meninos se divertia sentado em uma rua totalmente vazia, bebiam e fumavam, tinham por volta de 13 e 20 anos, um deles estava com um celular no colo, tocando uma barulhenta música de Funk Carioca. Já havia 5 garrafas de cachaça Seleta, e algumas cinzas no chão, a fumaça era excessiva, os rapazes estavam distraídos, bêbados e de olhos vermelhos. Uma figura sombria surgiu repentinamente no final da rua, era pequena, mas de longe dava para ver as manchas negras em volta dos olhos, feitas com sombra, e também perceptível uma palidez não natural na sua pele, usava uma longa jaqueta de zíper azul bordada e aberta, e por baixo uma camiseta preta sem figuras, luvas de couro negro, além de tudo, levava no pescoço um pingente com a figura de um lobo e uma pochete na cintura, logo, esticou seus braços, e correndo se aproximou rapidamente dos três, que se levantaram e gritaram palavras de xingamento e agressividade.

- Prazer, sou o Lord Candelária, vim aqui com uma única intenção.

- Qual? – O mais velho perguntou, empurrando o baixinho, “cheio de marra”.

- Não me empurra, seu tolo sem classe. – Lord Candelária puxou seu pente do bolso da calça pelos dentes e rapidamente perfurou o coração do rapaz, que deu um grito bem alto de dor e caiu no chão morto. Os outros correram para cima dele, com expressões de raiva e loucura, não eram do tipo chorão ou assustado, eram perigosos, mas havia algo a mais em Candelária, como se estivesse possuído por uma fera louca, ele lutou acertou o mais novo, e mais fraco com um golpe certeiro no pescoço, enquanto o outro lhe dava um soco violento, que quebrou-lhe o nariz, mas esse mesmo menino levou um soco no meio das pernas, e foi atingido na coxa pelo White Pin, o assassino deu alguns passos pra trás, enquanto o outro tentava ir atrás, dificultado pela perfuração, mas para todos, a embriaguez tinha sido um fator de condenação.

- Enfim, eu venci todos eles sozinho. – Bateu palmas . – Rafael. – Chamou bem alto pelo amigo, que veio correndo de algum lugar de onde estava escondido no fim da rua.

- Caralho, o que você fez? – O manco foi pra cima do recém-nascido serial killer, e lhe deu dois socos, um foi defendido pelo White Pin, que perfurou seus dedos causando uma dor tremenda, e o outro acertou Candelária na barriga, que caiu na hora, com danos de verdade. Rafael chegou rápido, enquanto o rapaz chutava seu amigo de todos os modos, mas tinha todos os chutes defendidos pelos rápidos braços e mãos do serial killer. O punk deu um chute no peito do maconheiro, que caiu no chão, já estava mal. O menino maquiado se levantou, ignorando a dor que sentia nos seus braços por causa dos chutes que defendeu, e deu uma pisada no peito da vítima, que, sem fôlego, não conseguiu gritar, sufocado, agoniado e incapaz de reagir.

- Obrigado Rafael, teria sido difícil sem você. Agora podemos nos divertir com esse idiota. – Sorriu para o amigo e iniciou uma sequência de golpes com o White Pin nas pernas do bêbado.

- Caralho, isso deve doer, da próxima vez eu quero furar também. – Assistia com um sorriso sádico enquanto o amigo perfurava as pernas do pobre infeliz, que tentava se defender com as mãos e braços, mas também era atravessado nessas partes, e logo não conseguia mais, já conseguia gritar novamente, e gritava alto por socorro, até que foi calado por uma grotesca pentada na língua, que dilacerou-a em pedaços, e ele não podia gritar mais, não para ser ouvido a ajudado por alguém, não dava, só podia berrar silenciosamente enquanto a brutal dor tomava conta de seu corpo. Sentia-se abandonado pela vida, sempre teve certeza de que não era nem o álcool e nem as drogas que o matariam, agora tinha certeza, principalmente quanto teve a sensação de ter o olho esquerdo perfurado, não deixou que o direito tivesse o mesmo destino, e foi ainda mais atacado nas mãos que protegiam o resto da sua visão. Lord Candelária ria muito enquanto cometia o crime, totalmente louco, embriagado pelo prazer exótico de matar. O sangue espirrava pelo chão, os assustadores e inaudíveis gritos silenciosos e aquele foi seu primeiro crime, com luvas, para garantir que não deixaria digitais, os golpes que se seguiram foram na barriga, e não demorou muito para que a vítima estivesse morta, imersa em um mar de sangue e parecida com um esponja cheira de furos, mesmo assim, Lord continuou penetrando com o pente, e fazendo mais e mais orifícios, e aquela brincadeirinha insana se estenderia por longos minutos, que Rafael assistia com a mesma animação do amigo.


quarta-feira, 7 de abril de 2010

Clube da Tortura


Aqui vai minha primeira postagem. Esse é um conto de "Horror Brasileiro" que fiz pra uma coletânea que foi cancelada antes do lançamento, o nome é auto-explicativo: Clube da Tortura.



Clube da Tortura







- Meu anjo, eu quero fazer isso mais cem vezes.
- Não, me deixa em paz.
- Só mais uma vez, que tal?
- Prefiro morrer, eu prefiro morrer.
- Como desejar.


Tadeu se preparava para ir para seu curso de Macromedia Flash MX, seria sua primeira aula, ele pretendia aprender a fazer animações em flash para fazer seu próprio site, ele não tinha o mínimo de talento com informática, mas em seus vinte anos, nunca havia desejado tanto realizar um projeto. Ele vestiu sua regata favorita e suas bermudas velhas e sujas, o jovem nunca havia sido vaidoso, às vezes chegava a ser desleixado, mas isso nunca o atrapalhou em nada. Saiu pelas ruas de Brasília, debaixo do sol infernal que fazia quase todos os dias, Tadeu era um rapaz baixo para sua idade, moreno escuro de olhos castanhos e cabelos da mesma cor, ele tinha bom coração, mas era ganancioso como um empresário estadunidense.
O trânsito estava ruim no dia, o que atrapalhava a caminhada de Tadeu, que morava a dois quarteirões do curso, mas tinha que atravessar uma rua muito movimentada que estava com semáforo quebrado, o que, às vezes, fazia com que demorasse até meia hora para conseguir atravessar a rua.
- Esse sinal quebrado é um inferno. – Tadeu estava bastante impaciente, estava esperando uma chance de atravessar a rua, fazia vinte minutos.
- Concordo contigo. – Uma garota da mesma idade de Tadeu concordou, ele não se lembrava de ter falado com ela.
- O idiota do governador não manda trocar essa porcaria, ontem vi no jornal pelo menos umas duas notícias sobre atropelamentos nesse sinal quebrado, mas também é fato que os meliantes que quebraram o sinal, também não são dignos de respeito. – O rapaz gostava bastante de assistir jornal, mas odiava as péssima notícias que eram apresentadas quase toda hora.
- É, uma das pessoas que morreram atropeladas ontem, foi minha irmã, por mim, eu prenderia esses políticos e motoristas incapazes pra cadeira, para apodrecerem para sempre, atrás das grades. – A garota olhava os carros passarem, sua voz era dura e severa, como se tivesse sido criada no fio de uma navalha.
- Eu seria hipócrita se eu dissesse “meus pêsames” ou “sinto muito”, mas é realmente irritante pensar que um idiota qualquer pode matar na rua e sair ileso. – Tadeu nem chegou a olhar para a pessoa com quem falava, ele era sincero, às vezes rude.
- Obrigada, gosto de sua sinceridade. Qual é seu nome? – A garota falou com um tom mais suave, como se estivesse satisfeita.
- Sou Tadeu, e você? – Ele olhou para ela, a sua parceira de conversa era uma menina muito bonita.
- Meu nome é Samantha, prazer em conhecê-lo, Tadeu. – Ela sorriu, olhando diretamente para o estudante.
- O prazer é todo meu. Mas caramba, esses carros nunca vão parar de passar? – Tadeu já estava cansado de esperar, parecia que todos os carros do Brasil decidiram passar em alta velocidade naquela rua.
- É, assim não vou chegar no meu curso a tempo, isso por que saí meia hora antecipada. – A garota voltou a usar o tom duro.
- Que curso você está fazendo?
- Macromedia Flash iniciante.
- Não é possível! Eu também!
- Tá brincando, né?
- Juro, tô querendo fazer um site. – Tadeu pareceu animado por ter conhecido uma de suas futuras colegas de curso.
Eles conversaram e fizeram planos entre si, até terem uma oportunidade de atravessar a rua, caminharam e conversaram até chegar no local do curso, uma lan house muito freqüentada. A aula já havia começado, Tadeu e Samantha se sentaram em dois lugares livres, a aula era dada em uma parte separada da Lan House, mas que, obviamente, como todas as outras, era cheia de computadores. O professor ainda estava explicando o funcionamento básico do programa, então os alunos atrasados não tiveram problemas para acompanhá-lo, durante a aula, chegaram outros quatro alunos atrasados, pelo jeito, não eram poucos os que estavam tendo problemas com horário. No final de uma hora e meia, a aula foi concluída, os alunos também deveriam fazer um trabalho para a aula seguinte, uma figura humana básica animada no flash.
- Até que eles não enrolaram, já aprendemos a usar todas as ferramentas de desenho e o princípio da animação. – Tadeu comentava com Samantha na saída da Lan House.
- Realmente, mas não é complicado de se aprender o básico, esses cursos só são realmente úteis na parte que complica.
- Já conhecia as bases? Aliás, onde você mora?
- Sim, eu conhecia. Pergunta pelo fato de que estamos andando juntos como se fossemos vizinhos? Eu moro naquele prédio, a dois quarteirões do Pátio Brasil. – Samantha apontou para um prédio de ótima aparência a dois quarteirões dos dois.
- Moro no mesmo prédio. Como nunca nos encontramos antes? – Tadeu estava impressionado com a coincidência.
- Deve ser por que eu estou sempre fora, raramente paro em casa, eu até vou dar uma voltinha agora. Quer ir comigo? – A garota tinha um olhar bastante persuasivo.
- Claro, meus pais me dão carta branca pra fazer qualquer coisa até as 10 da noite, como são 7 agora, posso ficar três horas livre.
- Tenho carta branca até às 19 de amanhã, meus pais sabem que sei me cuidar. Mas vamos logo, faz tempo que não conheço ninguém tão interessante. – Samantha saiu puxando Tadeu.
- Onde vamos? – Ele se deixou levar, estava sentindo uma sensação estranha dentro do peito.
- Pátio Brasil, podemos ver um filme juntos.
- Em que filme você pensa?
- Você verá. – Ela manteve o suspense.

Poucos minutos depois e os dois já estavam no andar de cinema do Pátio Brasil, na fila para comprar ingressos para assistir “Os Simpsons, o Filme”.
- Adoro os Simpsons. – O jovem disse, apesar de nunca ter tido paciência para assistir desenhos.
- É bem romântico também. – Samantha conseguiu causar um arrepio em seu amigo, apenas dizendo isso,
- Romântico?
- Sim, bom para começar um novo romance. – Ela piscou.
- Muito. – Tadeu iria falar mais, mas chegou a vez deles para comprar ingressos. Com ingressos em mãos, o casal foi direto à sala do filme, que começaria em 12 minutos. Eles se sentaram na última fileira, sem pipoca ou refrigerante, já que ambos não gostavam muito de comer.
- Escuro aqui, isso me excita. – Samantha sussurrou no ouvido de Tadeu, que sentia seu corpo inteiro se remexer.
- A mim também. – Ele passou a mão na perna de sua “amiga”, a garota fechou os olhos e beijou os lábios dele. Ficarem se beijando ali mesmo, no cinema. Claro que a mão boba de Tadeu passou por locais indevidos em Samantha, que também tinha mão boba. Ficaram assim até o filme começar, aparentemente ninguém tinha visto o que estavam fazendo, eles assistiram o filme, enquanto se tocavam por debaixo da roupa.
- Porco-aranha, piada perfeita. – Na saída ele ria muito, o que não costumava fazer, mas tanto o filme quanto as mãos bobas haviam sido perfeitos.
- Vamos em um lugar mais escuro, pra fazer algo mais divertido? – A garota o convidou.
- Claro, vamos. – Tadeu desejava Samantha por inteira, e aparentemente, não seria difícil.
- Me segue, não vou esperar. – Ela foi descendo as escadas, Tadeu foi com ela. Saíram do Shopping e acabaram em uma obra abandonada, onde apenas os dois estavam, isolado de qualquer local.
- Que local estranho. – Ele sabia que precisavam achar um lugar deserto, mas aquilo era demais. Tadeu também reparou que tinha um pote de mel no local.
- Feche os olhos, vou fazer uma surpresinha.
Tadeu fechou seus olhos, mas ficou inconsciente antes de abrir, sentiu uma pancada violenta na cabeça.

Quando acordou, estava amarrado em uma cadeira, nu, amordaçado e de frente para Samantha, que o olhava.
- Minhas fantasias sexuais são bastante estranhas, não acha? – Samantha estava segurando o pote de mel, já aberto.
“ Que merda de fantasia é essa? Ela só pode ser uma psicopata, estou acabado” O pensamento de Tadeu não era positivo, mas estranho seria se fosse.
- Você irá gritar de tanto prazer, espere para ver, meu amor. – Samantha começou a passar mel por todo o corpo dele, em alguns minutos, Tadeu ficou com o corpo todo cheio de mel. Só após ela terminar de passar o mel, ele reparou que havia um formigueiro perto da cadeira.
- Pode fala agora. – Ela tirou a mordaça do rapaz, que gritou um palavrão qualquer.
- Essas formigas, que merda de fantasia é essa, garota?
- Eu te amo tanto, que quero compartilhar minha dor com você. – Ela assistia as formigas subindo no corpo de Tadeu, aos poucos.
- Que dor, que raio de dor? Essas formigas vão me comer. Socorro! Socorro! – Ele gritava enquanto as formigas começam a morder sua perna, iam surgindo cada vez mais formigas do buraco no chão, pareciam famintas.
- Ninguém vai te ouvir, idiota. Seja bem vindo ao clube da tortura, o vídeo de hoje vai ser um sucesso. – A demente tirou uma câmera digital de sua bolsa de alça, que carregava sempre, e colocou para filmar a cena, começando com um close nas pernas que eram mastigadas pelas formigas.
- Clube da tortura? Que merda é essa? – Tadeu gritava ao falar, a dor era muito forte, e piorava, já que apareciam cada vez mais formigas, e subiam cada vez mais pelo seu corpo.
- Somos um grupo de amigos, capturamos vítimas e filmamos torturas, então compartilhamos nossas experiências em reuniões semanais, se um membro fica uma semana sem garantir um bom vídeo de tortura, ele acaba se tornando a vítima filmada. – Ela filmava como se filmasse “os primeiros passos do bebê”.
- Mas por que? Por que? – Tadeu já não conseguia nem falar direito, a dor o paralisava.
- Por que é nosso hobbie, além de ser bastante estimulante intelectualmente. Pense comigo, eu tive muito trabalho pra preparar isso, tive que deixa o mel, a cadeira e a corda preparadas aqui na obra, tive que arranjar um idiota, e convencer ele a vir comigo pra esse local de noite, quanto ninguém passaria por perto. Isso é viver, meu amor.
Tadeu não entendia por que ela havia dito que o amava.
- Sem falar, que com você, foi mais fácil, eu moro no mesmo prédio que você e tive a feliz sorte de estar indo pro mesmo curso que você, é como se Deus quisesse que tudo acabasse deste modo. – Foram as últimas palavras dela para o garoto.
Demorou 35 minutos para que as formigas matassem Tadeu, tudo havia sido filmado Após terminar de gravar, ela foi embora, embora as formigas continuassem se alimentando do corpo morto de Tadeu, não havia sentido filmar a tortura de um morto.
- Amanhã vão encontrar o corpo destroçado e vão investigar tudo, mas felizmente, até lá, já terei morrido também. – Samantha saiu do local, e foi para algum lugar deserto, procurar “diversão”.