Esta história é baseada em fatos reais:
Casa da Agonia
Era um local onde a natureza se encontrava em paz, no parque da cidade de Brasília, dia 21 de Abril, durante o aniversário da cidade. Toda a população se reunia em um grande show na Explanada dos Ministérios, enquanto na parte verde do Parque da Cidade, apenas formigas e pássaros habitavam. Por entre as folhas escurecidas pelas sombras da noite, algumas caídas e secas no chão de terra negra de alta fertilidade, eucaliptos e pinheiros atípicos da região que bloqueavam a luz lunar, e competiam por cada raio de espaço. Pequenas trilhas de pedras feitas por mãos humanas guiavam a um pequeno banheiro no meio do parque artificial, vazio de pessoas, absolutamente abandonado e solitário. A casinha feita de madeira era da mais primitiva espécie de construção humana, naturalmente com uma entrada para homens e outra para mulheres, em seu interior, um fétido odor de dejeto poderia impregnar as narinas de qualquer um, que, sem escolha, ousasse entrar para contribuir com o mau cheiro, satisfazendo suas necessidades mais fundamentais. Mas havia outros odores naquele local, além do de excrementos e urina, algo penetrantes e perturbador, que apenas tornava a casinha mais desagradável.
Três adolescentes ousaram andar por aquelas bandas, duas meninas e um menino, respectivamente de 10, 15 e 16 anos, a mais nova era uma morena alta e bonita, a segunda uma negra baixa com espinhas e óculos, e o terceiro um branco muito baixo com cabelo grande e espinhas. Por algum motivo, andavam naquele local deserto, abandonado e perigoso depois de 8 horas da noite, quando a única iluminação disponível era alguns escassos raios da lua.
- Caralho, Betina, eu falei que a gente deveria ter ido embora mais cedo, agora a gente nem sabe como a gente sai desse lugar! – O menino gritou com a menorzinha, que gritou de volta, com todo o desaforo carregado na voz.
- Cala a boca, Paulo, olha ali, uma casinha, quer dizer que a gente está mais próximo da saída. – Apontou para a casinha com o dedo indicador, dali, já podia sentir um leve e desagradável odor, estavam a poucos metros, uns 15, mas dava para ver a precária construção, que ficava em uma pequena clareira entre os compridos eucaliptos, e por isso, era um pouco melhor iluminada pela luz da lua
- Eu não quero ir no banheiro, eu quero sair daqui, mas tá tão escuro que a gente mal vê onde anda.
- Mana, eu to com medo. – A mais nova podia ser alta, mas ainda sim era mais nova, já estava quase chorando, algo fácil de se perceber, mesmo no escuro, por causa da sua voz.
- Se acalme, Brenda, não precisa chorar, a gente já vai sair daqui, e de qualquer modo, tá tudo bem, no máximo a gente vai ficar um tempão aqui e não achar uma saída.
Foi como se uma grande sombra envolvesse a vista de cada um deles, um vazio de inconsciência imediata surgisse na forma de três dardos que foram lançados nos seus corpos, um por um, em um intervalo de tempo tão rápido que não pudesse ser evitado, e de modo que cada um desmaiasse, sobre o efeito de alguma poderosa droga, em menos de um segundo, era uma metralhadora não-fatal, como vindo de outro mundo, sutil e oculto na relativa escuridão da noite brasiliense.
Foram preparados três altares dentro da casinha, estava iluminado com luz de velas, exatamente nove velas, duas em cada lado e uma na frente de cada uma delas, as três vítimas estavam pregadas nuas à parede pelas mãos, pés, pernas e braços, eram pregos de 15 centímetros, gigantescos, havia um em cada mão, dois em cada braços, na região do antebraço, dois em cada perna, nas canelas, e um em cada pé, os corpos estavam em posição de crucificação, mas a cruz era a própria parede de madeira, que já apresentava vários pequenos buracos da mesma espessura dos pregos, todos vivos e quentes, foram pregados enquanto desmaiados, um trabalho minucioso e habilidoso feito por um profissional sádico, habilidoso e louco. O primeiro a despertar daquele estranho sono, e se encontrar em uma desesperadora dor física foi Brenda, que deu um grito quando percebeu a dor que sentia nos locais perfurados, por onde escorria certa quantidade de sangue, pequena por causa dos pregos bloqueando as perfurações feitas pelos mesmos. A menina viu, com lágrimas nos olhos, a perturbadora e inacreditável imagem de um garoto vestido de terno, usando uma máscara branca de comédia, o mesmo tipo usado pelos antigos gregos para representarem cenas de felicidade, risos e comédia, mas essa parecia ser feita da vinil, aquela pessoa, que era do mesmo tamanho da irmã mais velha, usava também uma calça social preta, era como uma criaturinha vinda direto do Inferno, uma antítese macabra de refinação e horror, não dava para ver seus olhos, e nem mesmo para saber se eram os pregos ou a sua presença que tornavam o momento tão assustador. Brenda sentia seu corpo tremer, e não conseguia falar nada, apenas gritar, gritou diversas vezes, mas não eram palavras que saíam, eram sons animalescos devido à toda a dor que sentia, além da sensação de ter seu corpo perfurado, ainda tinha o desprazer de encarar o mascarado, que a olhava fixamente com aquele sorriso cínico e artificial. E ela também o olhava fixamente, como se um fio conectasse seus olhos em uma linha definitivamente reta, tanto que a pobre menina nem percebeu que sua irmã e seu amigo estavam do seu lado, o odor vindo dos vasos do local também era infernal, mas naquele momento, era o menor dos incômodos.
- Senhorita, desculpe pela falta de educação, mas devo dizer-lhe que estás agora na minha casa, e que quero que se sintam à vontade, por isso tomei a liberdade de prendê-los, assim se sentirão confortavelmente posicionados para os eventos que aqui ocorrerão. – O mascarado tinha uma voz tranqüila, grave e fria, definitivamente não dava nem para imaginar que idade teria.
Brenda não respondeu, apenas continuou gritando, chorando, soltando suas lágrimas em pânico, era duro para uma criança de 10 anos ser crucificada em um banheiro abandonado cheio de bosta, foi nesse momento que ela virou seu olhar para a direita, e viu sua irmã, pendurada do mesmo modo que ela, ver a amada mana naquela situação foi pior do que toda a dor que já havia tido pelas perfurações, um vazio universal tomou conta de seu coração, junto com o mais profundo desespero, que fez com que a saída de lágrimas acelerasse tão rápido quanto uma bala de Uzi.
- É, seus amigos também foram pegos, e bem, a diversão só irá começar quando eles acordarem. – Não dava para ver sua expressão devido à máscara, colocava a mão no bolso para pegar alguma coisa, era um rolo bem grosso de duréx, a garota continuava gritando, ele se aproximou em poucos passos apressados, segurou firmemente a mandíbula da vítima, e colou com a fita, amarrada, ela não podia tirar, e apenas com a boca, não conseguia fazer nada, agora, além de toda a dor e medo que sentia, teria seus silenciosos gritos abafados. Ele fez o mesmo com os outros dois, com que teve uma facilidade bem maior, devido ao fato de estarem inconscientes, porém, Paulo acordou no momento que teve a boca lacrada, tentou um grito ao ver a bizarra máscara feliz na sua frente e ao sentir a lancinante dor uma crucificação, mas não deu em nada, porque simplesmente não havia como soltar som algum, o desespero era como uma enchente naquele momento, inundando seu corpo, seus vasos sanguíneos, e o mais profundo de sua alma.
- Agora só falta um. – O maníaco foi até Betina, ainda adormecida, e lhe deu dois tapas no rosto, sem nenhuma reação, ele ainda insistiu em sacudir sua cabeça diversas vezes, até que pôde se perceber algum sinal de vida quando ela lentamente abriu os olhos, aparentemente exausta, e como os outros, tentou dar um grito com as dores e a visão da máscara de seu sorridente torturador, e não conseguiu. O odor desagradável que não era de dejetos humanos se tornava cada mais perceptível, e pintava com maior medo, aquela quadro doentio feito pelo mascarado, que com um gesto de palmas demonstrou a cruel realidade:
O horror apenas começava.
acabou ? ):
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