sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Divina Tragédia - Parte 2


Capítulo 2 - Amor Eletrônico

Caminhei com passos contados até ela, e me sentei ao seu lado, deslizando meus dedos sobre seu cabelo, pude sentir que não eram tão macios quanto antes, pareciam sebosos e duros, como se não fossem lavados há anos.
Lembrei-me dos primeiros momentos com ela. Da primeira vez, exatamente um sonho, talvez não tivesse sido apenas um sonho, não, com certeza não havia sido um simples sonho, mas muito mais, um encontro de almas destinadas uma à outra, uma magnífica experiência astral sem precedentes, incomparável. Estava eu, ali, sentado sobre a grama das longas trilhas do clube onde os alunos de minha antiga escola, exatamente três anos atrás, faziam sua educação física, pelo menos na teoria, já que a maioria passava a “aula” brincando de carteado, jogando vídeo-game ou brigando. Eu não seria exceção, me encaixando no grupo do vídeo-game, sentado abaixo de uma pequena árvore para me proteger do claríssimo sol de Brasília, olhar pra cima em Brasília é sentir uma sensação parecida com a que Moisés sentiria se tivesse olhado pro rosto de Deus: uma cegueira instantânea e ardente. Jogava um jogo no meu vídeo-game portátil, quando uma garota surgiu quase imperceptivelmente atrás de mim, se abaixou e perguntou próxima do meu ouvido:
- Isso é Castlevania?
Me assustei quando a ouvi, e quase deixei o aparelho cair, mas depois que me virei e vi seu rosto me acalmei. Oras, ela me parecia a criatura mais bela do universo, mas como eu poderia ter certeza de sua beleza se apenas meus olhos a julgavam? Era muito jovem, uns 2 anos mais nova que eu, e uns 15 centímetros a menos também, e foi a primeira vez que vi aqueles cabelos de corvo, e aqueles dois olhos amendoados da mesma cor da árvore que nos protegia do sol, um corpo sem grandes “atributos femininos” como se pode dizer, coberto por um único vestidinho negro que cobria dos joelhos aos pulsos, uma boca pequena proporcional ao nariz delicada e desproporcional aos olhos grandes que brilhavam como espelhos que refletem a luz do sol, mas sem aquela dor aguda que se forma na visão como nos espelhos de verdade. Por um momento divaguei em pensamentos enquanto a olhava, podia sentir algo diferente, não uma simples aceleração dos batimentos cardíacos, mas uma espécie de fervor que atravessava minhas veias, como milhares de multidões loucas em um tumulto, estava tumultuado por dentro, flutuando em pensamentos fantasiosos e possibilidades supostas, até que finalmente voltei à realidade e respondi.
- É sim. Você gosta?
- Não sou exatamente uma gamer, mas gosto desse jogo, quando eu era pequena eu ganhei um daqueles vídeo-games que se vende em camelô, com dezenas de jogos no cartucho, Castlevania era o melhor dos joguinhos, mas acho que era o primeiro. – Ela se sentou do meu lado, olhando pra tela.
- Esse aqui é o Symphony of the Night, dizem que é o melhor jogo da série. – Virei a tela para que ela pudesse ver melhor. - Quer tentar? – Não pude deixar de sorrir, de mostrar minha satisfação tendo o interesse de uma criatura tão adorável em minha atividade monótona e solitária.
- Quero.
- Deixa só eu salvar. – Salvei o jogo como de costume e estendi a mão com o aparelho. Ela pegou o console da minha mão com o maior cuidado, e já começou a apertar os botões e jogar, então trocamos, ela jogava e inclinava a tela para facilitar minha visão, enquanto eu a observava.
- É, parece que você já conhece os comandos. – Comentei, um pouco surpreso com a familiaridade dela com os botões, estupidamente ainda ligado ao conceito de que vídeo-game é coisa para meninos, sendo que hoje em dia até mães de família jogam.
- Bem, isso é um PSP, eu sei que é um Playstation portátil, deve ter os mesmo comandos também. – Ela sorriu, apertando os botõezinhos com seus dedos que se moviam mais rápidos do que os de um pianista profissional.
Estava tão distraído que esqueci de perguntar a mais fundamental das perguntas.
- Como você se chama?
- Luna. E você? – Não virou o olhar para mim, mantendo-se centrada no jogo.
- É um bom nome. Bem, eu sou o Artur.
Então ela pausou o jogo e sorriu para mim, e eu a vi desvanecer-se no ar como vapor, junto com todo o cenário em que nos encontrávamos, assim, acordei, e percebi que tudo não passara de um doce sonho, e que o despertador já tocava, me mandando para minhas tediosas obrigações.
Pelo resto do dia ansiei pelo momento de sono, com a única esperança de novamente me encontrar com ela, com a certeza de que ela não era apenas uma criação da minha mente, desejando com todo o meu coração que fosse real, por mais impossível que fosse, aquela gentil Luna deveria ser real. Quando dormi novamente, nos encontramos novamente, no mesmo local, mas que agora estava sob o céu noturno, um pouco avermelhado e bastante frio, as sensações eram realistas para um sonho, mas não o bastante para serem realmente tidas como realidade. Desta vez não jogamos, conversamos sobre os mais diversos assuntos, e nossa conversa fluía incrivelmente bem, e a cada par de palavras trocadas, descobríamos mais em comum um sobre o outro, e tudo parecia como destino, pois todas aquelas palavras que saíam de sua boca pequena apenas mostravam o quão perfeita ela seria ao meu ver, tínhamos em média os mesmos gostos, e especialmente os mesmos defeitos. Ela tinha uma tendência a mostrar seu pior lado, como em uma necessidade de me fazer conhecer de uma vez os seus males, para depois então, valorizar mais suas virtudes, e não hesitou em me revelar o egoísmo e a indiferença, a incapacidade de sofrer pelos outros, de ficar feliz pelos outros, de querer o bem aos outros. E seus olhos pareciam perder o brilho quando falava sobre esse assunto, sempre tão sincera que mesmo ao parecer a mais desvirtuada das criaturas, ainda me fascinava de um modo incomum, e modo que minha certeza de que ela não era apenas um sonho crescia, mas não ao ponto de ser absoluta. Acordei após contá-la sobre meus vícios, semelhantes aos apareceu dela, mas em diferentes formas de egoísmo.
Na noite seguinte ela me esperava no mesmo local, dessa vez ela vestia uma roupa diferente do vestido preto dos dias anteriores, estava vestida com um conjunto de pijama cinza que só deixava as mãos, pescoço e cabeça à mostra, as calças desciam até os pés, bem mais longas do que o necessário, embora ainda pudesse ver que usava havaianas amarelas nos pés,. Me cumprimentou e me chamou para segui-la, obedeci sem hesitar, e fui levado até o final do clube, nas limitações da cerca do extremo ao sul, onde grandes árvores frutíferas cresciam, era noite, e o céu estava negro, sem uma única estrela à vista, e a lua brilhando cheia e soberana, iluminando todas as escuras trilhas daquele clube. Debaixo da árvore, ela me pegou pela mão e me beijou, não o contrário, e me senti como se em um único momento eu entendesse todo o sentido da vida, do mundo, o que é a felicidade, e, especialmente, o que é o amor. Meus olhos estavam fechados, e tudo que sentia eram seus lábios e sua mão que deslizava por minha nuca, curiosa, mas aquela sensação celestial que sua boca me proporcionava aos poucos se dissipava enquanto eu despertava, até que me encontrei, lamentavelmente, sozinho em minha cama. Mas aquela foi a primeira noite em que a toquei como uma mulher, e nada menos do que isso. Na noite seguinte ela viria a me contar que era um espírito, a alma de uma pessoa morta que me acompanhava, por algum motivo que até hoje não compreendo, aceitei aquilo com total naturalidade, talvez porque ainda achasse e suspeitasse de que ela não passava de um sonho, embora ainda torcesse para que ela fosse o que dizia que era: uma criatura morta, mas real, não uma criação da minha mente.
Muitas e muitas noites se passariam até o dia em que entrei em coma, quando nossos encontros deixaram de ser meros sonhos.

- Iremos passear? Preciso conhecer esse mundo antes de fazer outra coisa.
- Isso é óbvio. Mas sabe o que faremos depois que você aprender como lidar com o mundo espiritual?
- Não. É óbvio que não sei. – Tirei os dedos dos cabelos dela, já estavam engordurados, o que me surpreendeu e foi um pouco desagradável, mas não cometi a grosseria de comentar isso.
- Seria injusto que eu dissesse o nosso objetivo na primeira pessoa do singular. Não seria nosso, mas apenas meu. Não faria sentido, então só quero que você me diga, e essa não é uma pergunta retórica: pra onde um espírito vai logo após a morte?
- Para o lugar equivalente aos seus sentimentos e sua energia, certo? Se é uma pessoa rancorosa e infeliz ela vai para onde seus semelhantes estão, se for uma pessoa feliz e generosa, ela se encontrará onde os felizes generosos estão também. – Eu não tinha certeza, mas pelo que já tinha lido em vida, seria um processo parecido.
- É, assim mesmo. E agora nós estamos em sua mente, um lugar isolado, eu sou bastante antiga e já tenho controle o bastante para me transportar pelo mundo espiritual com facilidade, aqui não há nenhum espírito, pois estamos em um local distante do resto universo, você não imaginaria quantos lugares existem, mas ficaria surpreso em ver o quanto os espíritos se concentram em sua maioria em alguns poucos lugares. E não há lugar mais impenetrável que a mente de um vivo, mas há um momento em que um espírito pode entrar em uma mente: durante os sonhos, mas nesses casos, tudo que acontecer será uma ilusão, apenas imaginado pela mente, diferente do que estamos tendo agora, que é real. Por isso, se você morre em um sonho, você continua vivo no mundo real, e é por isso que apareci em seus sonhos, pois era o único modo de falar com você diretamente, e fazer você me deixar entrar.
- Entrar em minha mente?
- Sim, um espírito só pode entrar e habitar em uma mente se ele for convidado.
Lembrei daquela cena no nosso sétimo encontro por sonho, Luna me perguntou: - Deixa eu entrar na sua mente? Deixa eu fazer parte de você? Sermos como uma só alma. A resposta havia sido quase instantânea: Sim.
- Eu me lembro.
- Mas chega de conversa, nós precisamos começar seu treinamento agora mesmo.
- E o S? Ele disse que me ajudaria.
- Eu não sei quem é S, não podemos confiar nele. Mas em mim você pode confiar, pois não deixarei que nada de ruim aconteça a você. Então comecemos imediatamente. – A voz dela soou dura e áspera, autoritária e forte, agora eu podia ver o quão forte minha gentil Luna era na realidade.
Concordei com a cabeça, sem falar nada, ela seria minha mestra.
- Comecemos com alguns conceitos. Existe freqüência, mas também existe a intensidade. Fazendo uma analogia de modo que você, conhecedor da física básica, entenda: A freqüência é a velocidade da vibração de um espírito, e reflete seus sentimentos e a pureza da sua alma, que em termos mais simples pode ser descrita como a grandeza que define se você é bom ou mau, um espírito de luz ou maligno. Quanto maior a freqüência, melhor você é, e quanto menor, pior, se sua freqüência for próxima de 0 hertz, você é praticamente uma massa de maldade que perdeu qualquer resquício de amor, bondade ou felicidade. Já um com espírito com uma altíssima freqüência é um exemplo de felicidade e bons sentimentos, especialmente o amor, o maior dos sentimentos de luz, resumindo, a freqüência define que tipo de energia o indivíduo tem, boa ou ruim. Agora falando de intensidade, ou densidade se preferir, é a quantidade de energia de fato, enquanto a intensidade define a qualidade, a intensidade define a quantidade, um conceito fácil de explicar, simplesmente quanta energia você tem. Espíritos evoluídos são os que tem maior freqüência, e geralmente também tem maior intensidade, mas isso não é uma regra, pois existem seres de baixíssima densidade que tem uma grande quantidade de energia, e esses seres são o maior risco que existe no mundo espiritual, pois são o que nós podemos chamar de Malignos Poderosos. – Ela se calou, respirou fundo e fechou os olhos, parecendo cansada de tanto falar, eu apenas a observei, sem falar nada, estava apenas a ouvidos, e quanto mais ouvia, mais queria ouvir, pois a cada nova informação, um grande leque de explicações era necessário.
- Continuando. – Ela abriu os olhos novamente pra falar, me fitando atentamente. – Um Maligno poderoso é um ser que mesmo sendo mau e não evoluído espiritualmente conseguiu algumas habilidades e poderes que geralmente seriam exclusivas dos evoluídos da luz, e isso pode acontecer de vários modos, ele pode tomar consciência de sua condição e mesmo sabendo que deve ser bom para evoluir, escolher ficar com os seus vícios e defeitos e tentar evoluir mesmo assim, a ter que se tornar um santo altruísta com amplos poderes, e quem consegue isso, se torna o que chamamos de demônio.
- Demônio não é qualquer espírito mal intencionado e anjo aqueles da luz?
- Não, um espírito sem luz qualquer não é nada além de um pobre coitado, um desorientado, mas se ele tiver mal e consciência, então ele é um demônio, pois não está apenas confuso e desorientado, ele escolheu seu caminho, e então se tornou um demônio.
- E você, Luna, o que você é?
- O que você acha que eu sou? – Ela me olhou séria, esperando uma resposta sincera.
Pensei um pouco, era difícil vê-la como um demônio sendo a criatura tão maravilhosa que ela era, mas era mais difícil ainda vê-la como anjo. Não contei ainda, mas em 3 anos, nossos encontros nos sonhos não se resumiram apenas a beijos e conversas, eu pude ver a sua outra face durante esse tempo, a face demoníaca, violenta, cruel. Um pequeno vício que ela passou a demonstrar a partir de certo momento foi o de tirar sangue, ela sempre carregava consigo um pequeno estilete, pedia pra me cortar só pra ver o sangue sair, não doía realmente por ser um sonho, mas ao mesmo tempo não posso dizer que era totalmente indolor, a sensação dos cortes era como uma impressão de dor, uma sugestão de dor.
- Deixa eu te cortar, amor? – Ela passava o estilete de leve na minha mão, estávamos no velho clube, encostados nas grandes que levavam a piscina, como sempre estávamos sozinhos
- Tá louca, você quer me machucar? – Senti a lâmina fria, achava que ia doer na hora, nunca fui do tipo que agüenta bem a dor de cortes, apesar de gostar de ver meu sangue, vermelhinho vermelhinho, saindo em tubo ou em uma seringa para exames.
- Não vai doer, isso aqui é um sonho, lembra? No sonho não dói, você vai gostar, e não vou cortar se você não deixar, isso eu garanto, mas deixe, por favor, juro que não dói. – Me olhou como uma criança que quer um presente, eu não podia resistir.
- Tá bom. – Aceitei, virando meu olhar para os dela, desfocando de qualquer outra visão, não queria ver quando minha carne fosse atravessada, sentia tensão, mas o fato da mão que me machucaria ser a dela me acalmava, não era como fazer um exame de sangue, e nem como ser torturado por inimigos, era mais como uma carícia agressiva, pelo menos achava que era. Ela não falou nada, apenas sorriu e deslizou aquela fina e pontuda superfície fria pela minha mão, então senti minha carne ser aberta e o líquido sair, realmente não havia doído, era apenas uma sugestão de dor, não resisti e olhei pra minha mão, o sangue saía como a água de um pia que esquece de fechar, e cobrir toda minha pele com aquele vermelho intenso. Ela olhava como uma fera para meu ferimento, como se se deleitasse completamente com a visão, e era isso que acontecia, podia perceber seus olhos brilhando enquanto o líquido derramava e caía no chão.
- Qual é a graça disso? Você só queria ver ele sair?
- É, eu queria ver como é, é da cor que eu mais gosto, vermelho, atiça meus desejos de todos os tipos, me dá uma sensação tão bom quando vejo sangue, eu não sei como tem gente que tem nojo, tem medo, que desmaia quando vê. – Ela desviou o olhar por um momento pros meus olhos, parecia muito feliz, e depois voltou à minha mão, passando o dedo no corte só pra sujá-lo.
- É, e que tipos de desejo você tem quando vê? – Eu sorri com certa malícia, pensando que ela talvez estivesse mal intencionada, e quisesse ter alguns agradáveis contatos físicos.
- Pela sua expressão você deve estar imaginando que eu esteja falando de desejos sexuais. Desculpa, mas não é isso, são outros desejos, de viver, de... de... – Ela ficou em silêncio, como se fosse dizer algo totalmente inaceitável. Me perguntei o que seria. O que poderia ser ruim e ser relacionado com sangue? A resposta era clara.
- Desejo de violência? – Já estava distraído, mas ainda sangrava muito, então quando voltei minha atenção ao machucado fechei a mão, não queria morrer seco.
- Ah, violência, é, isso me atrai, sangue me dá vontade de violência. Só, um pouco de violência me agrada.
- Por que? – Sentia que minha mão já não sangrava, a abri e olhei, já não saía nenhuma gota, a ferida estava fechada o processo de cicatrização já havia começado.
- Você adoraria bater até a morte naqueles que te infernizam quando você está acordado, não é verdade. – Pegou minha mão e segurou sobre a dela.
- Sim, seria ótimo.

Ela fez isso várias vezes, após algumas semanas, logo após a sessão de cortes, ela não disse mais nada, apertou forte minha mão e saiu andando, me levando para algum lugar, ali no nosso conhecido clube, a gente passou pelos corredores de um dos ginásios do clube, que por algum motivo estava aberto, e então chegamos a um campo de futebol de areia em que três pessoas estavam sentadas numa roda, fumavam, e soltavam bastante, pelo cheiro, estavam usando maconha. Sequer perceberam nossa presença.
- Veja só. – Ela se virou para mim e sorriu, depois soltou minha mão e foi caminhando devagar até eles, quando finalmente a viram, começaram a rir e falar coisas safadas que me deram vontade de arrancar a cabeça de cada um deles, mas antes que eu terminasse de pensar, ela começou a agir. Pegou o estilete e acertou um por um na barriga, eles não estavam exatamente com os melhores reflexos, estavam totalmente chapados, eles caíram no chão, gritando, e levaram mais golpes, corri pra ver o que acontecia, as suas roupas estavam cheias de rasgados e sangue, que saía cada vez mais, pelo formato dos cortes, ela não havia esfaqueado, mas sim feito cortes enormes nos garotos, eu não havia reparado o quanto aquele estilete era grande antes.
- O que você tá fazendo? – Eu estava muito assustado, nervoso, e meus olhos dilatados combinados com meus batimentos acelerados demonstravam isso.
- Só apreciando da violência contra aqueles que merecem. – Sua expressão era de uma alegria imensa, Começou a furar as pernas daqueles infelizes, furando, furando, rasgando,cortando, dilacerando, e eu não fazia nada além de olhar, pela primeira vez eu senti medo dela, porque logo era difícil encontrar um lugar no chão que não estivesse vermelho ou onde não se encontrasse um pedaço de carne humana, o modo como ela matou e despedaçou aqueles três nunca saiu da minha memória, como um trauma, naquele momento o meu sangue gelou, e não pensei sequer em sair correndo, só fiquei assistindo, quase paralisado, àquele massacre brutal, e não importava a quanto tempo eles estivessem mortos e nem o quanto mutilados e desfigurados estivessem, ela continuava, e fazia o trabalho do modo mais sujo, ficando toda lambuzada de sangue, e fazia tudo rindo, gargalhando alto, se divertindo ao extremo, e aquelas gargalhadas cruéis ficariam na minha memória pra sempre. Medo dela, mas não o bastante para não amá-la, ela podia ser cruel com eles, mas era boa comigo, mas o que mais temia é um dia eu fosse a vítima de sua violência. Ainda sim, minha alma gêmea, amada, adorada e idolatrada. Não foi a única vez que fez aquilo, não era seu costume, mas de vez em quando, cometia alguma espécie de massacre, não sei as vítimas eram meras criações da minha mente ou espíritos,
É, eu ainda tinha que pensar que por mais violenta ela fosse com aqueles desconhecidos desafortunados que encontrávamos em nossas românticas caminhadas, ela ainda era boa para mim, muito boa, fazer alguns cortes na mão pode ser um ato agressivo, mas não é exatamente o que um demônio faz, não, é apenas uma mania estranha, alguma espécie de fetiche não sexual. Por que cortar e ver o sangue? Ela não justificava de nenhum modo além do gosto por ver o líquido, mas quando perguntei porque ela não cortava a si mesma, ela me deu a resposta que eu menos esperava:
“- Eu estou morta, você está vivo, o sangue de vivo é bem mais vermelho, bem mais vivo, intenso, puro, é estimulante, belo, mais agradável de se ver correr, é fresco. Já faz muito tempo que eu não lembro o que estar viva, sinto atração pela vida que corre no seu sangue de alguém que tem um corpo físico intacto.
- Então você só gosta de ver meu sangue porque ele te lembra de quando você viva?
- Não, eu realmente gosto de ver sangue no geral, mas o sangue de vivo é muito melhor, porque além da sensação boa que por algum motivo eu sinto com aquele avermelhado fascinante, há a sensação de vida que vem do sangue, pois ele é a vida de toda a carne.
- Mas já que você falou disso, Luna, agora me fala, como você morreu? Há quanto tempo?
- Você não precisa saber, você precisa saber que estou aqui agora, e com você.
Eu acordei quando ela terminou a frase, todas as vezes que tentei retomar o assunto, ela desviava e às vezes se irritava, e como vê-la irritada era a última coisa que eu desejaria em sã consciência, eu desisti de descobrir isso, pelo menos por um tempo, um bom tempo.”
No mínimo ela era louca, perturbada, não sei, estranha, mas... demônio? Um anjo, que me deu a mão quando eu estava sozinho, a única que me estendeu a mão quando tudo que eu tinha diante de meus olhos era um vazio tão absoluto quanto a própria morte espiritual, o vazio de alguém que não está morto, mas que também não vive, existindo em vão, como se realmente não existisse de fato, como um maldito morto vivo, como alguém sem alma, ela me deu uma alma, e um pouco daquele sentimento doce que todos os grandes escritores almejam em toda a sua grandiosidade: o amor. Ao mesmo tempo, eu não a conhecia por completo, não sabia como teria morrido, não sabia como teria passado seus anos no plano espiritual, e muito menos quem ela era em vida, talvez sequer fosse o que dizia ser. Quantas dúvidas me atormentavam? O que ela poderia ter sido em vida? Tantas coisas, ela poderia ter sido qualquer pessoa, vivido em qualquer lugar, em qualquer época, e eu não sabia nada, ela poderia ter feito qualquer coisa por qualquer motivo, mas nenhuma dessas minhas perguntas poderia ser respondida. Mas... ainda assim, mesmo sob todos essas dúvidas, a minha resposta ainda foi aquela que meu coração desejava dar:
- Anjo.
Ela deu um sorriso amarelo e se afastou deu alguns passos para longe de mim, em silêncio, depois voltou a se virar para mim e disse:
- Está sendo sincero? – Ela estava muito séria.
- Estou.
- Tudo bem, então agora imagine que sua mão está virando vapor. – Sentou-se novamente sobre a grama.
- O que?
- É o começo do treinamento de como lidar com seu corpo espiritual, diferentemente do corpo físico, ele não tem uma forma imutável, ele pode ser controlado, além de aqui haver habilidades que você nem conseguiria imaginar.
Ergui a mão na altura dos meus olhos, com a palma virada para mim, imaginando concentradamente que cada célula que a formava evaporaria, se separaria, imaginava toda a pele se dissipando, sumindo, perdendo toda a sua densidade, virando gás. Não demorou mais de meio minuto para eu sentir uma certa leveza na palmas, mas não havia nenhuma mudança visível, apenas sentia como se ela estivesse menos pesada, realmente menos densa, era uma sensação relaxante, e esse relaxamento tomou conta do meu corpo inteiro, eu me senti leve, e acabei sorrindo involuntariamente por causa da sensação agradável, era quase como se eu flutuasse , mas nada de minha mão virar vapor. Luna agarrou minha mão repentinamente, o que quebrou minha concentração e também meu relaxamento, desviei o olhar para ela, mostrava os dentes em um sorriso empolgado.
- Se sente relaxado?
- Sim. Como eu faço pra evaporar? Demora muito pra conseguir?
- Hahaha. Não, seu bobo, você não vai conseguir evaporar, eu menti pra você pra ver se você aprende a flutuar, porque aqui no mundo espiritual a gente flutua e voa, mas esse é o treino básico pra conseguir, você precisa voar para se mover direito por aqui, as distâncias são simples como no mundo material, e muito menos você vai achar um ônibus. O princípio em voar não está em imaginar que você vira vapor, mas sim em deixar seu corpo mais leve, mais ou menos como em um balão de hélio, ele deve ficar menos denso para subir, também dá para usar a própria energia para voar, usar como combustível, mas isso é bastante avançado para o momento, primeiro apenas flutue. Sério, imagina que seu corpo está evaporando e que você está subindo.
- Certo. – Não havia o que discutir, dessa vez fechei meus olhos e juntei as mãos com os dedos entrelaçados, e me imaginei sumindo, desaparecendo no ar como fumaça, e a sensação de relaxamento voltou quase que imediatamente, aquele fluxo delicado de energia passando por dentro de mim fazia com que a sensação de leveza fosse quase completa, agora só faltava subir, imaginei-me tão leve que minha flutuaria, subiria, voaria como um balão, subindo, subindo, tão leve como uma pena em meio a uma ventania. Finalmente senti meus pés saírem do chão, e era realmente como flutuar, não como se flutua na água quando se está boiando, mas como se flutua no vazio, uma sensação maravilhosa e indiscritível que só aqueles que estão livres da restrição do corpo material terão a oportunidade de sentir, por isso. Eu subia aos poucos, como se um fio me erguesse pela cabeça, e estava cada vez mais leve, mais leve, não era difícil me concentrar, aquele agradável relaxamento acontecia naturalmente, com certa facilidade, e quando abri meus olhos, pude ver o solo bem distante de mim, e Luna me olhando lá de baixo, tão longe que tinha o tamanho de um ratinho.
Voltei ao chão instintivamente, tudo que tive que fazer imaginar a densidade voltar ao meu corpo, então toda a altura foi perdida, e o impacto de meus pés contra o chão foi tão suave que parecia que eu tinha apenas tocado levemente meus pés em um colchão de ótima qualidade, ela se reaproximou, parecia satisfeita com o resultado, pelo menos eu estava.
- Então você entendeu. É fácil, não é? No começo você precisa se concentrar, mas depois tudo acontece com naturalidade, facilmente, de acordo com seus pensamentos e intenções.
- Então basta eu pensar em algo que esse algo irá acontecer?
- Não exatamente, mas se é algo que você pode fazer, então você não terá dificuldades pra fazer, talvez tenha dificuldade se fizer de algum modo extremo, como quando for voar rápido, aí você terá que se concentrar bem, mas pra flutuar não, e qualquer espírito faz isso. Quero ver se você consegue voar agora, é mais difícil que flutuar, mas basta você se imaginar fazendo isso, pense, use o poder de sua mente, e não haverá nada que você não possa fazer.
Fiz o que ela disse, abri meus braços e me imaginei como uma ave que alça vôo com a maior facilidade, mas sem a necessidade de bater as asas, e então pude sentir meu subindo rapidamente, deixando o solo, e voei. Voei alto, e meu corpo pareceu como um grande avião de papel, sendo levado por um vento que eu não podia sentir, no ar, fiz manobras, realmente imitando uma ave, eu subia, descia, virava para os lados, e conseguia parar no ar, depois voava em linha reta o mais rápido que eu conseguia, mergulhava sobre o nada, subia na vertical como um míssil,e fazia todas as manobras que minha imaginação permitia, tudo era possível, e aquela sensação era sem dúvida a melhor que já tinha sentido na vida, era ter total liberdade, liberdade para voar, e fazer tudo que eu quisesse ou imaginasse.

Divina Tragédia Parte 1




A Convidada

Era uma noite extremamente fria, estava deitado na minha cama debaixo dos cobertores, procurando me esquentar enquanto esfregava os pés um no outros, o céu podia ser visto através da cortina, avermelhado, enevoado, mas coma lua crescente bem visível diante de meus olhos. Estava sem sono, não sabia exatamente porque, mas estava com minha mente distante, eu via a minha gentil amiga imaginária, uma menina de 12 anos com cabelos tão perfeitamente negros que pareciam pintados, e grandes olhos castanhos que me atraíam aos mais profundos poços e mares. Bem, não era exatamente uma “amiga” imaginária, algo mais, algo criado pela imaginação de um solteiro romântico. Me levantei da cama, abri a porta do quarto e fui até o banheiro, liguei a luz, fiz o que tinha que fazer, lavei as mãos, e então fiz a grande besteira. Três horas da manhã, sentia um sono imenso, olhos cansados e uma distração profunda em meus próprios pensamentos, foi quando sem querer, meu dedo molhado não se encaixou no interruptor, mas sim na tomada abaixo dele, me eletrocutando, para minha sorte, o piso também estava molhado, e tudo que senti foi algo estourar, provavelmente minha mão.

Acordei em uma cama de hospital, tive uma estranha sensação de leveza quando abri os olhos,e então tentei mover minha cabeça, o medo perfurou meu peito quando vi que flutuei sobre meu próprio corpo, me desesperei a comecei a me mover confusamente, sem nenhum controle, enquanto minha “cabeça” girava e minha boca soltava gritos que não emitiam nenhum som. Achava ser um pesadelo, só podia ser um maldito pesadelo, até que vi um homem do lado da minha cama, um homem desconhecido, que tinha a minha aparência, me olhava com um sorriso zombeteiro.

- Prazer, pode me chamar de S, estou aqui para te ajudar a conhecer o mundo astral. Você não está morto como deve estar imaginando, mas apenas em coma, eu estive te acompanhando em vida com grande interesse, como um anjo da guarda, e agora continuarei te guardando até que possa voltar à consciência em seu corpo físico.

- Do que você está falando? S é um nome? Se me guardou, por que deixou isso acontecer? E por que raios vocês tem a minha cara? – Retruquei tentando ir até o meu sósia, mas só consegui recuar no ar, ficando com mais raiva do que já estava

- Eu posso tomar qualquer forma humana, tomei a sua para que se sinta em um ambiente conhecido, mas mudarei assim que formos amigos. Aliás, não quer ajuda para aprender a se mover? S não é um nome, é minha inicial, um dia te conto o verdadeiro.

- Sim, ia ser muito útil que me ensine a me mover.

- Bem, aposto que você está tentando mover os braços, não é? Haha, veja, você tem que se mover só com o pensamento, imaginar que está se movendo pra onde quer, entende?

- Vou tentar. – Me concentrei no movimento e consegui flutuar até o homem, e fica de pé na frente dele, em uma posição bem mais confortável do que a de flutuar sem direção.

- Você deve estar se perguntando: Por que quero te ajudar?

- Na verdade duvido de suas boas intenções, mas pergunto sim.

- Eu também duvidaria se fosse comigo. Artur, tenho desejos e você está incluso neles, vejo em você um grande potencial, e creio que possa ser útil para mim e para o universo no geral. E também acho que vá gostar de conhecer os vários planos.

- Você está apenas fazendo rodeios. O que quer afinal?

- O que quero? Bem, serei direto então, você é um humano em coma, você tem o “potencial” e a “vontade”, sua mente é aberta a novas idéias, você acredita no sobrenatural mas despreza dogmas.

- Fale logo o que quer. - Perdi a paciência

- Não, eu não te falarei meus objetivos, só deixo claro que tenho interesse no seu conhecimento do Mundo Astral. Agora vamos a um lugar melhor. – Ele pegou em minha mão e estalou os dedos, e no instante seguinte estávamos em um lugar diferente.

Não estávamos mais no hospital, todas as ligações ao mundo físico haviam sido deixadas para trás, e agora nos encontrávamos em um campo aberto de gramíneas, onde o céu se mantinha cinza e estranhamente sem o mínimo vestígio do Sol, mas o que mais me chamou atenção foi ver um balanço como o único objeto no cenário que não era grama, e nesse balanço a minha gentil Luna se balançava e ria, me olhando com aqueles enormes olhos castanhos que tanto amo. Ela era real?

- Luna? – Perguntei a ela, sem acreditar, e em seguida virei meu olhar para S. – O que você fez? Está controlando minha percepção? Está me usando? Ela não existe.

- Não, se você soubesse onde estamos: na sua mente. Esta menininha é uma criação da sua mente, não é? Então ela habita aqui dentro.

Luna desceu do balanço e caminhou até mim, me dando o mais terno dos abraços, e sussurrando com um tom excessivamente infantil:

- Você morreu e veio me fazer companhia?

Foi bom saber que ela não me confundiria com um sósia exatamente igual na parte física.

- O que ela disse? – Os olhos de S se expandiram de surpresa com a frase.

- Eu disse: Você morreu e veio me fazer companhia? – Ela virou o olhar para minha cópia.

- Ela não é uma criação da sua mente, não é? – S se sentou sobre o gramado, com as pernas cruzadas, olhava para nós com interrogações nos olhos.

- Não sei, você é? – Olhei pros olhos da minha tão adorada, torcendo com todo o meu ser que a resposta fosse não, e que ela fosse real, para que fosse minha de verdade, ela parecia tão doce e gentil em cada traço facial que era difícil imaginar que não fosse de verdade.

- Não, eu não sou. Por que seria?

- Então o que você é?

Ela me soltou e caminhou em passos curtos até S, mudando sua expressão imediatamente para algo que poderia facilmente ser descrito como “rosto de guerra”, de onde eu estava, parecia que os olhos dela haviam ficado um pouco menores, e a carne das bochechas murchado, como em alguém que está morrendo de fome.

- Eu sou um espírito, assim como você, Artur me alojou por aqui e agora vivo aqui nos pensamentos dele. Ele pensava que eu era imaginária, mas não sou, eu era uma alma perdida e infeliz, solitária, maldita, e ele também, uma pessoa viva infeliz, solitária, aparentemente maldita, e então o encontrei, com tantas coisas em comum comigo, e quis estar com ele, assim passei a segui-lo. Com o tempo ele foi podendo me sentir, me conhecer, sonhar comigo, me imaginar, soube meu nome, minha aparência, minha personalidade, sempre pensando que eu era uma amiga imaginária criada pelos seus pensamentos, ele foi me assimilando até eu poder entrar na sua mente, quando ele também me amou, assim como o amo. Nos encontramos toda as noites em nossos sonhos, ele me encontra em todos os seus pensamentos, e eu o encontro em todos os pensamentos dele, eram nossos encontros, nossos eternos encontros, pensamentos, sonhos... e agora estamos aqui, definitivamente juntos, pois não é um espírito e um corpo mais, são agora dois espíritos. Mas agora que me expliquei, eu é que quero saber, quem é você? E por que invade a nossa morada? – Ela discursou, devo confessar que nunca havia me sentido tão querido por uma mulher até aquele dia, mesmo sendo uma morta, Luna era mais perfeita do que qualquer coisa que minha imaginação pudesse fazer, eu até deveria ficar bravo por ter tido minha imaginação manipulada para criar o modelo de Luna, mulher perfeita, semelhante à do espírito adorável que me acompanhava sem eu saber, mas só consegui dar atenção à parte em que ela se dedicou para obter minha afinidade, uma forma diferente de amor que eu vivia: Ela me escolheu, e isso era o importante.

- Eu sou S, seu amigo está em coma, mas não tenho mais o que fazer por aqui por enquanto. - S sorriu com deboche, ele me irritava, e sumiu repentinamente, como se evaporasse.

- Onde ele foi? - Eu estava mais confuso que minha companheira.

- Espíritos se movem com maior facilidade que humanos, ele simplesmente foi embora, se transportou pra longe.

- E o que faremos agora? - Voltei a me aproximar dela, e a envolvi em meus braços, o corpo dela era frio apesar de ser o mais agradável que já tive a alegria de tocar.

- Não é assim que te quero, primeiro eu preciso que você esteja do jeito que eu desejo, do jeito que você precisa ser para sobreviver à vida por aqui, nós não estamos no céu, aqui é como o mundo real, e é tão perigoso quanto. Seu espírito tem potencial, você é diferente de tantas almas comuns que não se destacam em nada, mas você não tem usado esse potencial corretamente. Eu te farei forte, para que juntos possamos vencer em nossas jornadas.

- E como fará isso?

- Pode doer um pouquinho.

Eu senti minha a mesma coisa que senti antes de entrar em coma, mas dessa vez veio com intensidade total, elétrons corriam pela minha mão e eu podia sentir as leis da física em prática, a transformação de energia potencial armazenada em energia térmica que iniciava um desagradável processo de fritura no meu braço. Comecei a gritar sem disfarçar a dor terrível que sentia, e não conseguir me afastar de Luna, como se estivesse com o dedo grudado na tomada. Não entendia como eu ainda sentia aquelas sensações físicas como dor, calor e choque, ainda havia muito para entender sobre o plano astral.

- Pára, o que você tá fazendo? - Sentia meu corpo inteiro tremer com os elétrons que corriam em cada "célula" que me formava. A partir deste momento, narrarei grande parte dos acontecimentos que vivi no plano espiritual com os termos utilizados para o plano material, para facilitar a compreensão e tornar este relato mais objetivo. Enfim, a sensação era de estar sendo realmente frito vivo, não cozido, pois a sensação era mais parecida com óleo quente do que água fervente.

- Meu amor, isso é só uma ilusão. - Ela olhou bem meus olhos e pude ver a sombra de um reflexo avermelhado nas profundezas de seu olhar penetrante, e então o choque parou, me joguei sobre o chão, colocando meu rosto sobre a grama, tinha a mesma consistência da grama real, e o mesmo cheiro, comecei a acreditar que não haveriam diferenças entre aquele mundo e ao qual estava acostumado.

- Você está me testando? - Esfreguei bem o rosto naquela grama que parecia um confortável travesseiro, não conseguia sentir raiva dela mesmo após sentir a maior da minha vida, devia ser esse o objetivo de minha tão adorada, pois por mais doloroso que tivesse sido a sensação, eu havia resistido como nunca antes teria feito. Mas apenas porque a dor veio das mãos delas? Não é verdade que tapa de amor não dói, mas de fato dói menos, ou parecer doer menos.

- Não, para ser um teste você precisaria ter liberdade de escolha, escolher entre agüentar ou não, mas quando eu te imponho uma ilusão sem que você tenha a possibilidade de escapar, não há escolha, então não há teste, porém há aprendizado, pois você aprende com a dor que sente. – Se ajoelhou a minha frente e passou seus dedos macios pelo meu cabelo duro, eram gentis e agradáveis, a mesma mão que feria era aquela que acariciava.

- Hum, então continua porque eu estou gostando dessa sua mão.

- Quer um beijo também? - A voz dela soava como carícias aos meus ouvidos.

- Quero. – Levantei meu rosto, ela me puxou e eu me sentei, subiu no meu colo e colou os lábios nos meus, me beijou como um anjo caído do monte mais alto de um paraíso proibido aos mortais, um anjo que eu podia sentir naquele momento colado em mim, com movimentos tão gentis que me seduziam a ponto de estar tão cego que sequer repararia se o universo pegasse fogo ou todos os demônios existentes chegassem gritando hinos de guerra, só podia sentir aquele beijo doce que eu retribuía com religiosidade, devoto ao meu profundo amor por Luna. Não demorou para que afastasse os lábios dos meus e então senti meus lábios arderem suavemente, como se tivesse passado pimenta, e ela me olhou séria.

- Você me acha bonita?

- Acho.

- Por que você me ama?

- Porque você me entende, você é como eu, você é forte, você é linda, e você é só minha, não preciso te dividir com ninguém, absolutamente ninguém, você é perfeita, você é imortal, você é eterna, é a personificação de um perfeito amor eterno como nas histórias.

- E o que você seria capaz de fazer por mim?

Tive que pensar para responder. Quantas coisas eu faria por ela? Certeza de que muitas. Sofrer? Com certeza. Matar? Sem nenhuma dúvida... morrer? Como eu poderia apreciar de sua companhia se estivesse morto? Só se morresse apenas em meu corpo mortal, mas minha alma...

- Morreria fisicamente.

- Sacrificaria sua vida mortal por mim então? Para nossas almas ficarem juntas pra sempre?

- Sim. - Não pensei muito para responder, minha vida terrena não era exatamente o ideal de perfeição, mas meu amor por ela era... perfeito, completo.

- E morreria eternamente? – Os olhos dela pareceram um pouco maiores nesse instante.



- E como eu poderia ter sua companhia? – Passei minha mão por seus cabelos negros de corvo, queria tocá-la ao máximo e em todo momento em que tivesse oportunidade, “lembre-se de morrer”, aproveite a vida, creio que essa regra se aplique a almas também, então... por que não aproveitá-la enquanto ainda existo?

- Se você me amar realmente, não amar apenas minha companhia, será capaz de morrer por mim, pelo meu bem, pensará em mim antes de pensar em você. Não se sente assim?
- Acho que nunca me senti assim, eu sou egoísta e só penso em mim mesmo, mas eu não amo a sua companhia apenas, seria mentira de minha parte dizer que não sei a diferença entre amar a pessoa e amar a companhia, mas não me imagino perdendo minha existência por alguém, mesmo por você. – Olhei para o chão com certa vergonha, temendo talvez que ela me deixasse por causa da resposta, o que faria com que me arrependesse terrivelmente de não ter dito ser capaz de morrer, e mesmo morrido por ela naquele momento.
- Tudo bem, não é sua obrigação. Mas eu morreria com certeza por você, eternamente, porque você é a primeira pessoa que se importou por mim nesse e no outro mundo, a única pessoa que realmente preencheu minha solidão aparentemente eterna, mesmo que não me ame o bastante pra morrer por mim, você ainda é o único bem que tive em toda minha existência, e eu não poderia existir sem você. – Ela se afastou alguns metros de mim e se deitou de bruços na grama, apoiando o rosto sobre os braços e fechando seus olhos como se fosse dormir, eu iria abrir a boca quando ela falou antes. – Então... Você sabe o que a gente vai fazer agora que estamos juntos na pós vida?

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Composto por vários

- Composto por vários, assim podemos descrever a verdadeira natureza da alma humana.
Mas como descrever algo que a própria lógica e a realidade desafiam? Essa é a verdadeira verdade absoluta, inegável e cruel de Lord Candelária, um verdadeiro representante da alma humana
Lord Candelária: Este é o eu insano que não segue uma lógica ou ideologia, não tem um objetivo definido, e busca diversão a qualquer custo, especialmente a dor alheia, tendo um gosto profundo pelo caos, a confusão e a baderna. Tem um excelente humor, especialmente negro, e adora rir nas horas mais indevidas ou não, Lord Candelária é um ser de sadismo absoluto que ama ver pessoas se matando, se odiando, guerras e destruição, como uma personalidade inacreditável, livre de qualquer sentido ou razão, uma criatura que despreza a vida e seus valores, e vê tudo com indiferença.

Das Extremer...

Qwert...






terça-feira, 4 de maio de 2010

Salpicado em Fezes (Casa da Agonia parte II)






Salpicado em fezes

Ali estavam os três humanos pendurados nus em agonia, seu cruel torturador com a máscara da Comédia ria em alto tom, ao som dos desesperados gritos silenciosos das vítimas imobilizadas, que nada podiam fazer, além de mover a cabeça, vendo uns aos outros, coisa que apenas aumentava o terror em seus corações, iluminados pelas 9 velas que queimavam. Era fácil perceber um anel em forma de garra, pontudo como uma faca, no seu indicador esquerdo.

- Saudações, vocês aqui irão presenciar a mais bela obra de arte. Este local, este banheiro é chamado carinhosamente por mim de A Casa da Agonia, e enfim, vocês já entenderam porque temos esse nome aqui. Essas nove velas estão espalhadas de modo que a expressão de cada um de vocês, minhas crianças, seja vista com a maior expressividade. Este aqui é o meu lar, sabe, quando você vive no Inferno a vida toda, acaba se acostumando e o adotando como seu lar doce lar, e bem, hoje ele será dividido com vocês. – Ele andava para lá e para cá, em zigue-zague, com as mãos atrás das costas, sua voz era desagradável, aguda e infantil, qualquer um que ouvisse diria que ele tinha 11 anos, o que era estranho, já que Brenda se lembrava de ter ouvido uma voz totalmente diferente antes, mas era óbvio que ele forçava para alterar seu timbre, só não dava para saber qual era o original. O odor de excrementos era muito forte, na as cabines com vasos ficavam logo na frente da parede onde estavam pendurados, não havia pias ou espelho, apenas os vasos sanitários, que na realidade, davam para fossas, e não esgoto, o que explicava o acúmulo de mau cheiro. O mascarado foi até uma das cabines, lá dentro, além do vaso entupido de porcarias, havia uma pá encostada do lado do recipiente para dejetos humanos, ele a pegou, e tranquilamente retirou uma quantidade daquela pasta marrom velha, que não descia, e fedia horrivelmente, com esta pá a uma boa distância do próprio corpo, levou tudo aquilo para as vítimas, que sentiram o odor cada vez mais perto, dava para ver em seus olhos o quanto estavam horrorizados, um mar de fezes humanas em uma pá e eles imobilizados.

- Senhores, é uma nova experiência para todos vocês, então espero que estejam prontos. – Ele bateu palmas, e se colocou suas literalmente imundas mãos na barriga de Betina, que tentou se debater, mas apenas sentiu apenas mais dor assim, e parou, sentia seu coração acelerar ainda mais do que já havia acelerado, em pânico profundo, mas quando mais se debatesse, mais os pregos por seus membros a machucariam, e sabia que não ia dar para sair, no máximo rasgaria mais a carne, talvez isso fizesse que morresse mais rápido e sofresse menos, mas não tinha como fazer. Colocou suas literalmente imundas mãos na barriguinha dela, podia sentir o corpo que tremia, e sentia um profundo prazer com isso, aprofundou a sua afiada lâmina, penetrando na pele da garota, que tremia mais e mais, exatamente sobre o umbigo, penetrou até que atingisse a carne vermelha, deslizou o dedo como um habilidoso cirurgião, fazendo um rasgado na barriga da garota, da região do umbigo até o cerca de 2 dedos de distância dos seios, cortou apenas a pele e a carne, mas garantiu que não teria feito nenhum dano aos órgãos internos, o que poderia matá-la. A dor era lancinante, ela pôde sentir ser rasgada como um pedaço de carne viva, uma cesariana sem anestesia, a sua região de seu abdômen doía como o Inferno, e o pior era não poder gritar enquanto tremia, e sentia sangrar pelo corte, embora não muito, e nem mortalmente, embora o corte fosse como um cirúrgico, não podia ser “totalmente limpo”. Os outros dois fecharam os olhos, não queriam mais ver aquilo, mas podiam sentir a mesma coisa que a baixinha sentia, as piores emoções. O cheiro de merda era insuportável, havia moscas voando dentro daquela casinha iluminada à luz de velas, aqueles insetos pousavam sobre seus rostos, e então balançavam a cabeça, para espantá-las, mas acabavam voltando, ou indo para outra parte do corpo em que não poderiam ser espantadas devido à imobilização.

Ele se agachou na frente dela, o maníaco sentia o profundo cheiro de carne humana no nariz quando abriu a barriga da garota, então pegou no cocô na pá usando a própria mão, algo nojento e horrível, passou por dentro do corte, recheando o corpo da menina com excrementos. Ela olhava tudo, paralisada de dor, medo, e claro, pregos que a prendiam, lágrimas saíam sem parar dos seus olhos, sentiu aquele sólido pastoso e úmido diretamente no seu sistema digestório, não agüentou de tanto nojo, era o tipo de abominação que nenhuma pessoa com o mínimo de saúde mental agüentaria. Então vomitou em grande quantidade, mas por causa do grosso duréx que prendia sua boca, tudo voltou, e ainda mais enojada, vomitou de novo, e volto, e vomitou, e voltou, e apenas ia vomitando mais e mais, enquanto o mascarado permanecia enchendo seu interior de bosta. Ele assobiava enquanto fazia a repugnante “cobertura interna”, não dava para imaginar que tipo de porcaria planejava, mas enquanto ele fazia isso tranquilamente, sem olhar para cima, apenas olhando aquele belo intestino cheio de fezes, ela vomitava, e se sufocava, se engasgando, mal podia respirar, cada vez ficava pior, sentia a garganta queimar, a boca entupir, o fôlego sumir rapidamente, o coração acelerar muito mais do que já estava, o que já não era pouco, e um leve e gradual escurecimento das vistas. Não demorou muito para que visse tudo escurecer de vez, morta engasgada com o próprio vômito, não podia controlar as náuseas e os vômitos, e com tudo voltando, morta não poderia mais sentir dor e nem tremer de medo e dor, ficando inanimada.

- Minha primeira obra, é maravilhoso, posso sentir seu corpo perder a vida. – Com a mão fora do interior do cadáver, apoiou a máscara no corte, não sentia nada, nada daquela que deveria estar tremendo absurdamente ou se debatendo ou algo parecido, estava inanimada, morta. Se levantou, e puxou de uma vez o duréx da morta que tinha os olhos ainda abertos, o vômito que tinha lá dentro saiu todo, parecia que uma garrafa de 2 litros de gosma amarela cheia de pedacinhos sólidos cremosos tinha sido tirada da garganta da garota, sujou o chão toda, a boca dela se manteve aberta depois de ser descolada, mas pra sempre sem vida. O maníaco de dois passos pro lado e olhou para o menino que ficava de olhos fechados chorando, com a agonia pela qual passava, chorar de olhos fechados não era algo difícil, enormes e desesperados rios escorriam de seus olhos pequenos, passando por todo o rosto.

- Hum, de você eu não gostei tanto, vou te matar rapidamente. – Sem se abaixar, atravessou a carne do rapaz pouco abaixo do umbigo, ele daria dado um grito, mas realmente não podia, apenas podia sentir a demoníaca sensação que se seguia, o mascarado rasgou seu corpo até a altura do peito, abrindo com o mesmo estilo cirúrgico usado na outra vítima, mas dessa vez, colocou a mão dentro do infeliz, e cortou fora seu coração, causando uma morte mais imediata e rápida, mas não poderíamos dizer indolor. Estava morto, era doentia a dor de ter o corpo rasgado, mas até havia sido rápido, um único rasgado mortal. O sangue saiu junto com as entranhas de sua vítima, as tripas ficaram penduradas junto com o intestino, além de tudo, os rasgados haviam sido tão profundos que atingiram todos esses órgãos, que rompidos, deixaram o suco gástrico e a comida semi-digerida sair, exalando um grotesco cheiro de morte.

O odor impregnava totalmente o ar, e a sobrevivente sentia o cheiro com os olhos bem fechados, assombrada, imaginava o que podia ter acontecido, mas não tinha coragem de abrir seus olhos, e mesmo com eles fechados, chorava sem parar, tremia de terror e frio, afinal, estava pendurada nua e já era tarde da noite, quando a temperatura em Brasília cai drasticamente. Aquele mascarado parecia um morto vivo, um ser sem alma, sem coração, mesmo sem ver seu rosto, sua própria existência, presença, energia eram como de algo sem vida, mórbido, perturbador e condenado, uma maldição com pernas, uma praga em pessoa. Betina pôde sentir os dedos finos e compridos arranhando suas coxas, inacreditavelmente sentiu um certo tesão, não era a hora certa para isso, mas não podia evitar, mesmo quando ele cravou suas unhas afiadas na sua carne, rasgando, era extremamente estimulante e doloroso, ao mesmo tempo que sofria com o odor fortíssimo de fezes e dejetos humanos, doía muito, mas naquela menina, havia um certo efeito sexualmente agradável, principalmente quando o seu cruel carrasco retirou parte da máscara, deixando a boca de fora, e lambendo os rasgados em suas pernas, por onde o sangue escorria para os lábios finos do assassino.

- O sangue é a vida de toda a carne. – Bebia o sangue maliciosamente, enquanto ela enlouquecia com aquela horrível sensação de dor, medo, desespero misturado com uma gota de tesão. Quando já não sangrava muito, pego mais excremento na pá do banheiro, e bateu na parte intima de Betina, uma pancada do objeto cheio de merda, a dor foi muito forte, foi uma pancada dolorosa que deixou as coxas e a vagina horrivelmente vermelhas e doloridas, e sujou tudo totalmente com aquelas porcarias. Ela sentiu aquilo, e todo o prazer que sentia se transformou em um intensificado nojo, sentindo as fezes dentro da sua vagina, e nas coxas, agoniante, e insuportável. - E as fezes são o que sobra de toda essa vida, isto é, a morte, a imundície e todo o mal. – Ele colocou de novo a máscara, e começou a rir, se levantou de seus joelhos caídos e removeu o duréx da boca dela, que deu um grito extremamente alto, e cuspiu nele, acertando na máscara, foi nessa hora que ela conseguiu ver os olhos dele pelos buraquinhos, eram aparentemente negros, pequenos e indiferentes, mas não assustadores como ela esperava, lembravam um pouco os olhos de uma criança.

- Me tira daqui, por favor, por favor. – Ela gritava sem parar, chorando em pânico, agora que podia gritar, gritaria, e de algum modo ainda tinha esperança de que o mascarado teria piedade.

- A imundície. – Ele bateu com a pá na garota, que não pode se defender, não foi com força, mas encheu a face dela com as fezes, parte dela entrou em sua boca, sentindo o gosto do excremento, vomitou sem parar, sem conseguir remover aquele odor e sabor grotesco e pungente, vomitou muito, no chão, e o carrasco apenas assistia, ela nem podia gritar, de tanto que vomitava, dava para ver do café da manhã até o lanche da tarde dela escorrendo pelo chão, pedacinhos de pão, carne, miojo e biscoito boiavam no suco laranja.

- Vamos tentar de novo. – Dessa vez ele pegou bosta com a mão, e enfiou no nariz da menina, que tentou virar a cabeça, mas ainda foi atingida, no meio do nariz, não doeu, mas sentiu novamente aquilo em cima dela, em maior quantidade, seu rosto estava coberto por uma máscara de cocô a essa altura, não agüentava mais, voltou a vomitar, dessa vez só saía água, toda a comida já havia saído, removia todo o líquido de seu corpo, ficando cada vez mais fraca, e vomitava sem parar, se sentia cada vez mais fraca, e sua consciência parecia cada vez mais afetada, começando a ouvir um estranho zunido nos seus ouvidos. Vomitou mais e mais, botando pra fora os fluídos naturais do seu corpo, totalmente desidratada, enquanto o carrasco assistia e se deleitava, a essa altura, ele estava com a mão dentro das calças, certamente se masturbando, um grotesco e repugnante fetiche sexual desviado, a mais bizarra das parafilias, pior que scat, apotemnofilia, bukkake, golden rain, sadismo, masoquismo, frotteurismo, fetichismo, bondage, incesto, necrofilia, voyeurismo ou qualquer outro desejo pervertido da mente humana. Ele baixou suas calças e sua cueca, enquanto a garota ofegava, não vomitando mais, imunda de bosta, em pânico, sem forças nem mesmo para soltar um palavra, e sem nem mesmo conseguia vomitar mais, era incrível que ainda estivesse viva, sentia uma sensação profunda de morte, se sentia realmente como se estivesse morta, mas uma morte que ainda sente as dores e o sofrimento que um vivo sente, sentiu o comprido pênis do mascarado entrar na sua buceta suja, e logo ele começaria a penetrá-la em um ritmo crescente, agressivo e selvagem. Nos momentos seguintes, ela se retorceria com um prazer mórbido, era como ter o cadáver violentado conscientemente, se sentia fraca demais, definitivamente semi-morta, mas também sentia aquele membro entrando e saindo de sua intimidade intensamente, aquele criminoso era realmente habilidoso em seus movimentos. Foram momentos muito longos, ela não podia descrever aquela sensação, era terrível, ter o cadáver vivo estuprado enquanto estava em um nível absoluto de exaustão, sem nem ao menos pensar direito ou mover um músculo, e o pior era que era muito excitante e prazeroso ao mesmo tempo que era diabolicamente doloroso, ainda sentia as fezes grudadas no seu rosto e na sua vagina. O assassino retirou seu pau sujo da garota antes de qualquer um dos dois gozasse, e levantou novamente suas roupas.

- Senhorita, espero que tenha gostado da sua última vez. – Sussurrou no ouvido dela, que queria muito gritar, mas não conseguia, e a arrancou com uma violenta mordida, o pior de tudo é que ela não podia reagir à dor, não demorou muito para que começasse a marcar seus braços com arranhões, e logo repetiu o mesmo pelo corpo inteiro, fez tantos longos e profundos arranhões que parecia que tinha sido atacada por centenas de gatos ao mesmo tempo, sangrava por cada corte, saía um pouco de sangue de cada um, e se não fosse socorrida, com certeza morreria, a dor que lhe foi infligida para fazer todo aquele “trabalho”.

Ele se afastou, e observou bem a visão que tinha diante dos olhos, era uma obra prima, a menina imóvel, viva, cheia de cortes no corpo, cheia de fezes entre as coxas e no rosto, e de brinde algumas gotas de vômito no queixo, por mais nojento que fosse, ele adorava o que via, era uma espécie de arte estética para ele, mas ainda faltava um toque final.

- Você deve querer a morte, mas poderá tê-la.

Ele usou as fezes para estancar os sangramentos, tampando os ferimentos, usando o excremento como cola, assim, ela não morreria tão rápido, mas deixou dois ferimentos abertos por onde o sangue saía, nos seios mas a repulsa apenas aumentava, e foi lá que ela ficou, ele soprou cada uma das 9 velas no local, deixando a escuridão tomar totalmente o banheiro onde os horrores ocorreram, e se retirou tranquilamente, deixando a última vítima sangrando devagar, morrendo aos poucos, sentindo muita dor, embora já como uma morta-viva.